Inglês que viaja pelo mundo de bicicleta assiste a final no Maracanã

Para Alemanha e Argentina, a caminhada rumo à final da Copa do Mundo da Fifa no Maracanã foi bastante difícil, com um longo torneio classificatório e mais seis jogos no Mundial antes da decisão. Mas, para o inglês Hugh Thompson, a viagem para estar na partida final foi ainda mais árdua.

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Hugh Thompson está no seu 25º país

Getty Images/Fifa.com

Para Alemanha e Argentina, a caminhada rumo à final da Copa do Mundo da Fifa no Maracanã foi bastante difícil, com um longo torneio classificatório e mais seis jogos no Mundial antes da decisão. Mas, para o inglês Hugh Thompson, a viagem para estar na partida final foi ainda mais árdua.

Em seu 25º país e se aproximando dos 25 mil quilômetros percorridos, o torcedor ficou impressionado ao finalmente ver o icônico estádio. Thompson vem pedalando há quase um ano, arrecadando fundos em sua passagem por vários continentes para chegar ao Rio a tempo de conferir a Copa do Mundo.

“Acho que fiz 170 quilômetros no meu último dia, e ver o Maracanã de longe foi incrível. Nos últimos 50 quilômetros, passar pelas favelas e pegar a avenida principal foi demais. Passar por 25 países e finalmente chegar, com um amigo meu me esperando com uma cerveja, foi um momento sensacional”, conta Thompson.

O inglês deve ter sentido algo parecido ao que sentiram os elencos de Alemanha e Argentina, trilhando o caminho até seu destino final após uma longa e às vezes tortuosa viagem de milhares de quilômetros e de horas trabalho duro.

“Quando eu era menino, sempre sonhava em ir para o Brasil. Só de ver (o Maracanã) de longe… É o lugar mais incrível de todos. Tive muita sorte de ter conseguido chegar para as quartas de final (no jogo entre Alemanha e França). Quando cheguei ao estádio, me arrepiei”, admite.

Quando conversou com a Fifa em abril, enquanto percorria a América do Sul, Thompson achava que a Copa do Mundo lembraria a todas as pessoas a razão de elas gostarem de futebol. Agora que ele está entre os brasileiros, no país deles, voltamos a tocar no assunto.

“Tinha muita coisa negativa antes do torneio e talvez no começo”, diz com franqueza o inglês. “Acho que é um mérito dos brasileiros o que eles fizeram para que isso fosse esquecido e para que o país apoiasse a seleção. Não era exatamente uma grande equipe, mas, por ter conseguido chegar aonde chegou, ela foi bem, e ainda conseguiu que o país a apoiasse. Adorei cada minuto em que estive aqui, o clima era incrível”.

Técnico de futebol na Inglaterra, Thompson contou com a grande generosidade dos desconhecidos, em suas próprias palavras, ao longo de sua épica viagem. Ao chegar o Brasil, ele viu ainda mais provas da boa vontade humana.

“O país inteiro, a gentileza e o calor humano do povo brasileiro são incríveis. Acho que só tive que pagar uma noite para me hospedar, e isso que estou aqui há quase um mês e meio pedalando. É uma gente incrível; a paixão deles pelo futebol, mesmo quando perdem, é incrível”, conta.

Mas a própria generosidade de Thompson também é algo de admirar. Depois de completar essa tarefa monumental, arrecadando milhares de libras esterlinas para a instituição beneficente Tackle Africa, que trabalha oferecendo educação por meio do futebol, a maioria das pessoas pensaria imediatamente em descansar. Mas para esse louco por futebol, assim como para a maioria dos torcedores depois do fim de uma Copa do Mundo, a meta já é a próxima edição da competição. Thompson sem dúvida ganhou o direito de ter companhia em sua próxima viagem, já que pedalou sozinho por milhares de quilômetros e cinco continentes em sua recém-concluída odisseia.

“Estou planejando correr até a Eurocopa. Serão dez maratonas em dez dias para (ajudar) a Fundação Bobby Robson (ex-jogador e técnico inglês). Quero fazer isso para cada equipe que ele defendeu ou treinou, usando a camisa de cada uma delas. Tomara que eu consiga convencer algumas pessoas a virem comigo!”, conclui.

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