Jornada de Passo Fundo fará seminário de leitura com Chartier
Mais consistente festival literário do País no que diz respeito a formação de leitores, a Jornada Nacional de Literatura teve sua edição de 2015 cancelada por falta de apoio. Apesar de ter sido autorizada a captar recursos por meio de leis de incentivo fiscal, os patrocinadores não apareceram este ano. A notícia causou comoção. Escritores…

Mais consistente festival literário do País no que diz respeito a formação de leitores, a Jornada Nacional de Literatura teve sua edição de 2015 cancelada por falta de apoio. Apesar de ter sido autorizada a captar recursos por meio de leis de incentivo fiscal, os patrocinadores não apareceram este ano. A notícia causou comoção. Escritores fizeram petições online e campanhas de financiamento coletivo. Não adiantou. O Itaú Cultural também se envolveu, e procurou meios de tentar viabilizar sua realização. Não conseguiu totalmente, mas anunciou, na tarde desta quarta-feira, 1º, em seminário na Casa de Cultura de Paraty, antes da abertura da Flip, a realização, em parceria com a Universidade de Passo Fundo, do 13º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural.
Será entre os dias 28 de setembro e 1º de outubro, na cidade gaúcha, e em São Paulo, na sede do Itaú Cultural. Os convidados desta edição são os franceses Roger Chartier, historiador francês especializado em leitura, práticas culturais e os efeitos da revolução digital; Anne-Marie Chartier, especialista em história do ensino da leitura; e os brasileiros Lucia Santaella, Francisco Marinho, Edvaldo Souza Couto e Regina Zilberman. A edição paulistana terá o casal Chartier, Tânia Rösing e mais uma pesquisadora a ser confirmada.
“Conseguimos salvar o seminário do incêndio”, disse Tânia Rösing. Para ela, um debate como esse é o que dá sustentação ao que se faz em movimentações como a Jornada. Então, se era possível salvar apenas um dos vários eventos da programação paralela, ela escolheu este. O evento, este ano, vai ganhar um nome mais comprido: Jornada em Ação – Seminário Internacional de Leitura e Patrimônio. “Jornada em Ação é a resistência, é o desejo de que de, mesmo com outras pessoas no comando, a gente mostre que podem tirar carnes, mas não se eliminam ideias e criatividades”, comentou a professora que este ano, após o anúncio do cancelamento da Jornada, foi afastada, pela Universidade de Passo Fundo, do projeto que ela criou.
Para Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultura, um dos motivos para o apoio foi o legado e a perenidade da Jornada de Passo Fundo. “E legado, para mim, são os 6,7 livros lidos por ano na cidade.”
A primeira edição do seminário ocorreu em 2002, em Badajoz, na Espanha. As demais edições foram realizadas em Passo Fundo, em ano de Jornada, que é bienal, e em cidades europeias nos outros anos. Além de conferências e debates, o encontro prevê apresentação de trabalhos de alunos, mestrando e doutorandos, sempre sobre a questão da leitura. Do seminário, sairão dois livros. Um deles terá textos de Roger Chartier e de oito pesquisadores da área letras, educação e história. O outro, com artigos de autores presentes no evento.
O anúncio da parceira foi feito em encontro que debateu a literatura feita fora do eixo Rio-São Paulo, do qual participaram, além de Tânia Rösing, que falou sobre o projeto que criou no Rio Grande do Sul; Marcelino Freira, que está fazendo um mapeamento da produção cultural em 15 capitais brasileiras, e Felipe José Lindoso, consultor do Conexões Itaú Cultural. Durante o evento, foram abertas as inscrições para o número 7 da revista Machado de Assis – Literatura Brasileira Tradução, que será lançada na Feira do Livro de Guadalajara, a ser realizada entre 28 de novembro e 6 de dezembro.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
