Mitos e verdades: Fundação Cultural cria comissão para estudar vida e obra de Cassiano Ricardo
De acordo com Alcemir Palma, diretor da FCCR e membro da comissão, as principais lacunas da trajetória do intelectual a serem estudadas são “suas atividades quando passou por Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, relações com o Governo Federal e eventuais estereótipos criados pela opinião pública”.


Comissão pretende preencher lacunas da trajetória do escritor joseense
Divulgação/FCCR
A FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo) criou uma comissão para investigar a vida e a obra do escritor Cassiano Ricardo, importante personagem da literatura nacional e símbolo da cultura joseense. Começando em julho, a Comissão Permanente de Estudos tem o objetivo de expor mitos e verdades sobre essa figura que incorporou à sua arte estéticas como a do modernismo nos anos 1920 e da poesia concreta nos anos 1970.
De acordo com Alcemir Palma, diretor da FCCR e membro da comissão, as principais lacunas da trajetória do intelectual a serem estudadas são “suas atividades quando passou por Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, relações com o Governo Federal e eventuais estereótipos criados pela opinião pública”.
Para o jornalista Julio Ottoboni, que estuda Cassiano Ricardo por mais de 30 anos e tem trabalhos usados como base na comissão, os principais mitos relacionados ao poeta eram os de que ele não gostava de São José dos Campos, era alinhado ao fascismo por se aproximar ao projeto de Estado Novo de Getúlio Vargas, que era tuberculoso, que era de família pobre e que havia mandado Monteiro Lobato à prisão.
“Há em toda a obra dele a ligação com São José, ele adorava a cidade; nunca foi tuberculoso; sua família era dona de três fazendas na região da Vargem Grande, era riquíssimo, e só era poeta por ser de família abastada; o Cassiano não era fascista de jeito nenhum, tinha uma admiração pelo Getúlio e Cassiano nunca mandou prender Monteiro Lobato. Ele adorava o Lobato, brigou para ele entrar na Academia Brasileira de Letras”, afirma Ottoboni.
O estudioso do escritor confirma que ele “teve uma paixão tórrida” pela escritora Cecília Meirelles. E pelo o que apurou foi um amor correspondido, mas não concretizado. Víuva, Cecília morava com a sogra, que não permitiu a relação com o joseense.
Foi a Associação dos Advogados de São José que enviou à FCCR a proposta de abertura da comissão. Sem todos os membros designados, o conselho confirmado é constituído por um membro da Associação dos Advogados, um da Academia Joseense de Letras e uma representação do escritor, que vai ser feita pela neta de Cassiano, Regina Célia Ricardo Gianesella.
“Essa composição não tem perfil de uma comissão profissional, precisa ter historiadores, sociólogos, especialistas em literatura brasileira”, diz Ottoboni. “A comissão precisa de metodologia para o resultado não ficar meia boca”.
Fundo Municipal de Cultura
Foi criado essa semana o Conselho do Fundo Municipal de Cultura de São José dos Campos, grupo que vai gerir os R$ 500 mil destinados ao financiamento de projetos culturais na cidade esse ano.
Formado pelo diretor presidente da FCCR, dois membros indicados pelo Poder Executivo e cinco membros da sociedade civil indicados pelo conselho deliberativo da FCCR, o conselho tem o objetivo de “fortalecer o acesso às fontes de financiamento cultural, fomentar a produção e o acesso aos bens culturais e artísticos e garantir a preservação e a manutenção dos bens materiais e imateriais do patrimônio histórico e cultural de São José”, como informa, em nota, a FCCR.
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