O medo como inteligência
Um dia nossa natureza morre e o universo continua em sua completa indiferença. Então passamos a vida morrendo de medo da morte. Religiosos criam metafísica pra aliviar esse medo. Cientistas criam técnicas com o mesmo fim. Despencamos do abismo, todos nós, dançando ou reclamando, tentando evitar o espelho, que insiste em dizer: “quanto mais você […]

Um dia nossa natureza morre e o universo continua em sua completa indiferença. Então passamos a vida morrendo de medo da morte. Religiosos criam metafísica pra aliviar esse medo. Cientistas criam técnicas com o mesmo fim.
Despencamos do abismo, todos nós, dançando ou reclamando, tentando evitar o espelho, que insiste em dizer: “quanto mais você enfraquece, mais me torno importante”. Então sentimos que, de alguma forma, o mundo não é nossa casa e a natureza não precisa de nós.
Gastamos energias monstruosas para não sermos atormentados pela consciência de que tudo pode dar errado. E como não produzimos veneno (espinhos, garras, etc), não voamos, não enxergamos direito, não ouvimos direito, somos esguios e desengonçados, tudo o que nos restou foi pensar.
Pensar é nosso grande barato. Compreender o mundo, tirar conclusões. Foi assim que começamos a criar predadores dentro de nós mesmos, desenvolvendo a capacidade de nos fazer sentir atormentados pela consciência de que tudo pode dar errado.
Nosso predador tem garras e uma força bestial:
1) As coisas essenciais nos escapam.
2) Quanto mais obcecados pela felicidade, mais deprimidos ficamos.
3) Nosso “sistema de fuga do medo” (meditação, drogas, etc) nunca dá certo.
Mas muita calma. O medo é um predador cruel, mas necessário e enriquecedor. Só crescemos e só viramos gente, no sentido mais profundo da existência, quando ganhamos a consciência de que perdemos a luta diante do medo. Chamamos nossos filhos de imaturos porque guardam a certeza de que podem ganhar a luta diante do medo – até passarem pelas primeiras experiências de frustração.
O medo é a inteligência do mundo. E a coragem não é aquilo que vence o medo, mas aquilo que caminha ao lado do medo. Maturidade é continuar caminhando diante do medo, sem a mentira de dizer “eu não tenho medo”. Por isso as pessoas não gostam dos covardes, por uma razão muito simples: somos todos covardes.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
