O rock com pimenta da joseense Maithe Masiero
Durante a segunda parte do show, na hora de pegar no violão para um cover de Champagne Supernova do Oasis, o cabo insiste em apresentar um mau contato. Depois de algumas tentativas, Maithe Rosieiro, cantora joseense de 16 anos, fecha a cara em expressão de poucos amigos. Contrariada, então a vocalista da banda


Personalidade e voz fortes são trunfo
Maithe Masieiro/Arquivo Pessoal
Durante a segunda parte do show, na hora de pegar no violão para um cover de Champagne Supernova do Oasis, o cabo insiste em apresentar um mau contato. Depois de algumas tentativas, Maithe Masiero, cantora joseense de 16 anos, fecha a cara em expressão de poucos amigos. Contrariada, a vocalista da banda Supercapsula empunha o microfone com ímpeto ainda maior do que antes.
Comprometida a compensar o revés, Maithe coloca mais lenha em seu vigoroso agudo para dar cabo de uma apresentação impressionante que fecha a noite no bar Lado B, em São José dos Campos. O repertório intercala composições próprias com clássicos de AC/DC, Queen e Iron Maiden. Todas elas prontamente apimentadas pela performance e domínio de palco da vocalista.
Na plateia, o pai Chiquinho Oliveira, dos mais talentosos músicos de jazz do Brasil, acompanha o desempenho da filha com contida satisfação. É dica dele, inclusive, o visual de saias até os joelhos, camisa manga longa com estampas de caveira, meia calça e tamanco e cabelos vermelhos despreocupadamente esvoaçados.
“Meu pai sempre me fala que no palco, a gente tem que apresentar um estilo próprio, que complemente um pouco a nossa música”, explica Maithe.
Estudante do ensino médio, a joseense afirma que canta desde sempre. A mãe, Rossana Masiero, é música assim como o pai. O início da curta carreira aconteceu com participações esporádicas nas apresentações de Chiquinho.
Maithe é uma adolescente de personalidade inquieta. Interessada por assuntos ligados à filosofia e política, atualmente é a obra existencialista de Jean Paul Sartre o que mais lhe prende a atenção na literatura. “A Náusea, o livro que eu estou lendo é muito inspirator. Mas também gosto do que li do Nietzsche”.
Além disso, foram cinco anos dedicados ao teatro com ênfase em musicais, atividade que deixou de praticar no ano passado. A adolescente ainda revela dotes para o desenho e considera, ainda que remotamente, a chance de seguir carreira como tatuadora.
Na música, sua banda, a Supercapsula, já conta com um EP com um cover e quatro faixas autorais. O grupo ensaia duas vezes por mês e mantém uma agenda regular de apresentações. Mesmo levando o projeto a sério, Maithe ainda não sabe se quer levar para frente a carreira de cantora.
“Acontece que estou na fase de começar a escolher qual vestibular quero prestar e ainda não tenho a menor ideia de para qual lado eu vou na profissão. Eu penso em seguir carreira na música, penso em fazer filosofia, mas o fato é que ainda estou confusa”, conta.
Caso opte pela música, uma coisa é certa: a influência do pai vai ficar de lado. “Quero que as conquistas venham sem ajuda de ninguém. Ele mesmo me apóia nessa e prefere que eu batalhe pelas minhas coisas”, conclui.
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