Samaras: “Nunca deixamos de acreditar”

Pés firmes. Olhar fixo na bola. Um, dois, três, quatro passos para trás. Sessenta mil pessoas torcendo no estádio, milhões em casa. Um país inteiro rezando para que a história tivesse um final feliz. Arrancada até a marca do pênalti. O tempo para por uma fração de segundos. E, então, o grito se desprende de todas as gargantas. Gooooooool! Um gol que vale a alegria de um povo.

Escrito por: Fifa4 min de leitura
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Samaras foi o herói da classificação da Grécia diante da Costa do Marfim

Getty Images/Fifa.com

Pés firmes. Olhar fixo na bola. Um, dois, três, quatro passos para trás. Sessenta mil pessoas torcendo no estádio, milhões em casa. Um país inteiro rezando para que a história tivesse um final feliz. Arrancada até a marca do pênalti. O tempo para por uma fração de segundos. E, então, o grito se desprende de todas as gargantas. Gooooooool! Um gol que vale a alegria de um povo.

Isso foi o que viveu Georgios Samaras no último minuto do jogo entre a Grécia e a Costa do Marfim. O seu pênalti, cobrado com maestria no canto da rede africana, significou a classificação dos gregos para a segunda fase de uma Copa do Mundo da Fifa pela primeira vez na sua história. Outro jogador poderia ter sido vencido pela pressão, mas o atacante do Celtic encarou o momento como rotina.

Vontade inabalável
Mas terá sido realmente só rotina? Em entrevista à Fifa, o camisa 7 da Grécia faz uma confissão surpreendente. “Naquele momento não senti absolutamente nada”, revela. “Peguei a bola, coloquei-a no ponto. Eu contra o goleiro. Mente clara: manter o foco e tentar colocá-la na rede. Já tinha feito isso milhares de vezes nos treinamentos, algumas nos jogos. No final, se você pensar bem, tanto faz se há uma pessoa vendo você na sede do clube ou milhares em um estádio.”

Parece difícil de acreditar, não fosse pela tranquilidade com que Samaras se expressa e pelo olhar que não vacila nem um segundo. Também, é verdade, porque desde o momento em que o pênalti foi marcado pelo árbitro, ele já tinha claro o que teria de fazer. “Antes de tomar os quatro passos de distância, eu sabia perfeitamente onde iria chutar. Era claríssimo na minha mente. O resto foi passar da mente para a prática.”

Essa férrea determinação não foi característica apenas dele, mas também dos seus companheiros. De acordo com o atacante de 29 anos, mesmo quando parecia que estavam eliminados, faltando pouquíssimo tempo para o fim do jogo, nem ele nem os outros dez gregos em campo duvidaram por sequer um segundo das suas possibilidades.

“Nunca deixamos de acreditar. Lutamos até o último segundo. Todos nós conhecemos muitas histórias que mudaram no último segundo, e não em qualquer jogo, mas em duelos grandiosos. Às vezes até mesmo com dois gols nos momentos finais. Por isso, no futebol, até o apito final do árbitro, você precisa seguir tentando fazer com que as coisas aconteçam.”

Uma mudança de paradigma
O resultado foi o mais importante para a seleção grega desde aquela famosa conquista da Euro 2004. Desde então, os gregos ganharam a reputação de priorizar a defesa, mais do que buscar o gol. Uma reputação que, de acordo com Samaras, a equipe de 2014 quer mudar.

“Eu diria que nesta Copa do Mundo não temos sido defensivos. No primeiro jogo, perdemos por 3 a 0, mas tentamos atacar. Contra o Japão não tivemos alternativa porque ficamos com dez jogadores. Mas, ainda assim, buscamos contra-atacar quando podíamos. Na minha opinião hoje controlamos o jogo de um modo geral. A nossa defesa jogou muito bem, e no ataque fizemos os gols nos momentos certos. Na verdade, deveríamos ter matado o jogo depois do 1 a 0, mas acertamos a trave três vezes.”

Depois do triunfo, a análise. O próximo adversário é a Costa Rica, uma seleção que a Grécia nunca enfrentou na sua história, mas sobre a qual os jogadores já puderam aprender nestes dias. “Conhecemos alguns jogadores da Costa Rica, principalmente os que jogam na Europa. Também assistimos aos jogos contra o Uruguai e a Itália. Agora é necessário analisá-la como equipe, especificamente as suas virtudes e defeitos, e temos de ser competitivos.”

Como a vida não é feita só de trabalho, mas também de diversão, Samaras não deixa de reparar em um detalhe surpreendente: a sua semelhança física com o meia costa-riquenho Bryan Ruiz. Embora, segundo o grego, haja uma diferença fundamental. “Ele não tem barba, e eu sim”, aponta com bom humor. “Ele não vai ter tempo para deixá-la crescer e eu não vou fazer a minha. Assim não vão nos confundir. Piadas à parte, é um excelente jogador, com uma grande carreira na Holanda. Vamos levar tanto ele quanto a seleção dele muito a sério para poder vencê-los.”

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