Spcine aposta em novo modelo para incentivar o cinema no município
Guerreira em defesa do cinema paulista e brasileiro, a produtora Assunção Hernandez pediu a palavra durante a cerimônia de divulgação dos projetos da Spcine para implementar o cinema no município e lembrou que, há 13 anos, a entidade fora aprovada com outro nome – SP Filmes – e colocada de lado por uma prefeita (Martha Suplicy), que definiu…

Guerreira em defesa do cinema paulista e brasileiro, a produtora Assunção Hernandez pediu a palavra durante a cerimônia de divulgação dos projetos da Spcine para implementar o cinema no município e lembrou que, há 13 anos, a entidade fora aprovada com outro nome – SP Filmes – e colocada de lado por uma prefeita (Martha Suplicy), que definiu como ‘aloprada’. Por conta disso, durante todo esse tempo se consolidou a RioFilme, que já tem 23 anos. O tema da rivalidade Rio/SP surgiu várias vezes no evento realizado na quinta, 2, à tarde na sede da Prefeitura, no Viaduto do Chá. Integrantes da mesa tentaram contemporizar, mas o prefeito Fernando Haddad admitiu, sim, que São Paulo estava parada, mas não está mais, e que existe a rivalidade. O importante é que a Prefeitura já possui os instrumentos para tentar diminuir essa vantagem e, com a ajuda da comunidade cinematográfica, fazer avançar o cinema no município.
Ao todo, 30 projetos foram selecionados pela Spcine, que surgiu há cinco meses. A relação já havia sido divulgada – os títulos dos filmes, seus diretores e produtores -, mas nessa quinta, 2, o que se discutiu e formalizou na mesa foram os programas de integração. De acordo com o diretor-presidente da Spcine, Alfredo Manevi, não adianta só investir dinheiro na produção. O que é necessário é uma política pública que integre, além da produção, a distribuição e a exibição. Sem a interação de todas essas pontas, a situação continuaria como estava – 60 filmes paulistas prontos e sem espaço para passar.
Havia nomes importantes na plateia. Produtores, diretores, artistas e técnicos. A já citada Assunção e também os diretores Paulo Morelli, Carlos Alberto Riccelli e Roberto Moreira, produtores como Fabiano Gullane e Bel Berlinck, da O2, atores como Cláudia Ohana e Matheus Fagundes, premiado no Festival do Rio por seu papel em Ausência, de Chico Teixeira. Moreira, que não filma desde 2009 – Quanto Dura o Amor – vai finalmente fazer seu terror A Terapia. Ao todo, 30 longas foram habilitados para receber o aporte total de R$ 12,7 milhões. O dinheiro vem da Ancine, por meio do Fundo Setorial do Audiovisual, e de diferentes secretarias do município. A ideia é integrar o governo do Estado.
A novidade desse programa, segundo Manevi, está na aposta em um novo modelo de financiamento que integra produção, distribuição e cria a possibilidade de retorno financeiro. O dinheiro não é fornecido a fundo perdido, mas transforma a empresa em sócia nas rendas e bilheterias de filmes de pequeno, médio e grande orçamento. Isso ocorre não apenas no cinema, com estratégia para atingir 3 mil salas do Brasil inteiro, mas nas outras janelas. A Prefeitura, que já realiza experimentos de distribuição e exibição – o Hamlet de Cristiano Burlan estreou na Sala Olido e no CC São Paulo -, está fazendo licitações para criar 20 telas em diferentes pontos da cidade, inclusive CEUs.
“É preciso criar no público o hábito de ver filmes paulistas e brasileiros. É inadmissível que, na maior cidade do País, exista gente que nunca foi ao cinema nem viu um filme brasileiro”, destacou o prefeito. O programa da Spcine contempla quatro linhas de ação. Produção (linha 3) e distribuição (linhas 2 e 3). Os filmes começarão a chegar aos cinemas no mês que vem. É uma carteira diversificada – o edital da Linha 1, voltada à produção de obras de ficção, documentário e animação, recebeu 262 inscrições e será divulgado em outubro. O importante é que o impacto é artístico e cultural, e também econômico. Para cada R$ 1 que a Spcine investir no setor audiovisual paulista, o retorno estimado será de R$ 5,83 na economia da cultura da cidade e do Estado de São Paulo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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