Sustentabilidade no centro da moda
Às vésperas do encontro da cúpula das Nações Unidas (ONU) para o maior debate internacional do ano sobre meio ambiente, marcado para segunda, 23, o papel da indústria da moda na crise climática virou o assunto da temporada. A estudante e ativista sueca Greta Thunberg, com sua jornada marítima para os Estados Unidos, virou referência nas…

Às vésperas do encontro da cúpula das Nações Unidas (ONU) para o maior debate internacional do ano sobre meio ambiente, marcado para segunda, 23, o papel da indústria da moda na crise climática virou o assunto da temporada. A estudante e ativista sueca Greta Thunberg, com sua jornada marítima para os Estados Unidos, virou referência nas conversas sobre as emissões de carbono e colocou em xeque o glamour do circuito internacional de moda, com quatro semanas consecutivas de desfiles em Nova York, Londres, Milão e Paris, acarretando o deslocamento aéreo de profissionais da área, de uma cidade a outra, em apenas um mês.
“Espera-se que a moda reflita e influencie, a qualquer momento, o que nos afeta. Mas o que fazer quando ela acaba virando uma das principais culpadas em relação à grande questão da nossa época?”, diz o jornalista Anders Christian Madsen. Na segunda-feira, 16, a Burberry apresentou seu primeiro desfile “carbon neutral”, anunciando a compensação das emissões de gases de efeito estufa gerados pelo desfile e pelos convidados que voaram até Londres para assistir ao show, por meio de uma organização que combate o desmatamento na Amazônia.
Em Milão, Miuccia Prada, a mais intelectualizada das estilistas, se aprofundou na questão: “Por um lado, queremos salvar o planeta, não consumir e não gastar. “Mas aí as pessoas não terão emprego, não terão dinheiro e teremos que vender mais novamente”, resumiu ela, em entrevista à Vogue.
Considerada uma das indústrias mais poluentes do mundo, a moda agora enaltece a ideia de roupas feitas para durar. “De repente, a atemporalidade está sendo apontada como um valor central, até mesmo em Milão, a cidade da moda mais intimamente associada aos lançamentos de tendências de varejo”, observa Vanessa Friedman, crítica do The New York Times.
A longevidade da roupa, e a lógica de comprar menos com mais qualidade, no entanto, não altera o fato de que os lançamentos seguem na disputa por despertar desejo e angariar as maiores vendas possíveis.
Nesta estação, por exemplo, Miuccia brilhou com uma coleção que fez lembrar suas criações dos anos 1990, quando a marca emplacava um hit atrás do outro. Investindo em peças que vendem bem, a estilista trouxe tricôs finos, casacos dupla- face, calças e saias com corte minimalista, além de detalhes em macramé, veludo e palha. “A pessoa deve ser mais importante do que as roupas”, disse ela.
Na linha das “roupas eternas”, com matérias-primas incríveis e o preço nas alturas, um dos maiores nomes da Itália hoje é o estilista Brunello Cucinelli. Seus tricôs feitos à mão levam dias para ficar prontos. Tudo é confeccionado em uma fábrica modelo numa vila medieval. A marca fatura 450 milhões de euros e cresce 10% ao ano (no Brasil, está no Shopping Cidade Jardim). “Evite modismos e as distrações do momento”, diz Cucinelli. Nesse ponto, ele pode estar certo.
No início da semana, a saída do estilista Demna Gvasalia, da Vetements, marca que liderou a ascensão do streetwear de luxo, causou alvoroço. Estaria a moda de rua chique e cara perdendo espaço para as roupas longa-vida e as ações politicamente corretas?
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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