Van Buyten: “nós temos que enfrentar o desafio”

Há 20 minutos para jogar em Belo Horizonte no dia 17 de junho e Bélgica não são apenas arrastando em seu jogo de estréia para a Argélia, mas parecem estar perdendo a batalha tática também. Fast forward cinco dias e Les Diables Rouges (Red Devils) estão se saindo apenas um pouco melhor contra a Rússia, incapaz de abrir a defesa do adversário nos momentos finais de um aparentemente inevitável empate 0-0 no Maracanã.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
Van Buyten:

Van Buyten: “nós temos que enfrentar o desafio”

Divulgação/Fifa

No dia 17 de junho, com 20 minutos para o encerramento da partida de estreia pelo Grupo H, a Argélia estava à frente no placar e dominava as ações diante da Bélgica. Cinco dias depois, os Diabos Vermelhos também não tinham vida fácil contra a muralha formada pela Rússia e, a alguns minutos do apito final, a torcida que foi ao Maracanã já se preparava para um empate sem gols.

O cenário era ainda pior diante da Coreia do Sul em São Paulo, no último jogo da chave. Os belgas estavam em desvantagem numérica e pareciam ter sofrido uma pane no setor ofensivo. Apesar disso, a vitória saiu em uma das três ocasiões criadas e, pela primeira vez na sua história, a Bélgica se classificou para as oitavas de final com 100% de aproveitamento.

“Se alguém tivesse nos dito, antes da Copa do Mundo, que iríamos terminar a fase de grupos com nove pontos de nove possíveis, não acreditaríamos”, admite à FIFA Daniel Van Buyten, único integrante do atual grupo a ter participado do Mundial de 2002 e que usa justamente a experiência para explicar os motivos pelos quais a seleção sustenta um aproveitamento perfeito mesmo sem ter atuado de forma brilhante.

“Poderíamos muito bem ter apresentando um futebol bonito, mas isso não faria muito sentido se fosse para acabar em eliminação”, insiste o zagueiro do Bayern de Munique, que passou ainda por clubes como Standard de Liège, Olympique de Marselha e Hamburgo. “Todos viram que tivemos dificuldades, especialmente contra a Argélia. É difícil forçar uma situação quando enfrentamos times que montam um verdadeiro paredão à frente do gol.”

Foco no momento 
O defensor evoca ainda um segundo ingrediente para explicar a força psicológica apresentada pela Bélgica: a capacidade de viver o momento, sem olhar para trás ou até mesmo para frente. “O mais importante é não pensar no futuro e não perder o foco, pois vamos ter tempo para fazer as contas mais tarde”, avalia Van Buyten, de 36 anos. “A Copa do Mundo está acontecendo agora, precisamos responder à altura. O importante foi que soubemos nos fechar e nos organizar em momentos de dificuldade”, orgulha-se.

Segundo Van Buyten, o último elemento na vitoriosa fórmula belga está no estado de espírito dos jovens atletas. “Eles sabem escutar e estão sempre prontos para entrar em ação”, resume. Contudo, para alguém que ficou acostumado à conquista de títulos com a camisa do Bayern de Munique, não é difícil encontrar explicações para o sucesso. “É normal que aconteçam coisas boas para esses jovens, pois eles sabem se manter tranquilos e absorver bem a pressão”, aponta o veterano de 36 anos.

Nesta terça-feira, dia 1º de julho, os belgas poderão provar no campo de batalha de Salvador que possuem as melhores armas na guerra de nervos. Com o objetivo mínimo da classificação para as oitavas de final já atingido, a equipe dá início agora a uma nova competição, e o zagueiro de 1,96 metro de altura prevê que o novo momento será de um futebol mais aberto e ofensivo já no duelo com os Estados Unidos. “Não estou surpreso que os americanos tenham ficado com a segunda posição do grupo visto a evolução que vêm tendo e a partida que fizeram contra a Alemanha, apesar da derrota (por 1 a 0)”, pondera Van Buyten.

Publicado em: