Wild descarta festa após título, mantém pés no chão e afasta comparação com Guga
Avesso a badalações, o jovem tenista Thiago Wild descartou maiores comemorações ao chegar ao Brasil depois de obter feito histórico nos Estados Unidos, onde se tornou o primeiro brasileiro a faturar o título juvenil do US Open, em Nova York. A celebração foi em família mesmo, como gosta o atleta de apenas 18 anos. “Até tinha alguma coisa…

Avesso a badalações, o jovem tenista Thiago Wild descartou maiores comemorações ao chegar ao Brasil depois de obter feito histórico nos Estados Unidos, onde se tornou o primeiro brasileiro a faturar o título juvenil do US Open, em Nova York. A celebração foi em família mesmo, como gosta o atleta de apenas 18 anos.
“Até tinha alguma coisa programada, mas eu pedi para cancelar. Eu só queria chegar tranquilo em casa e ficar com a família agora”, disse Wild, ao Estado, horas após desembarcar no Rio.
O paranaense de Marechal Cândido Rondon ainda processa a conquista que o tornou apenas o segundo tenista do País a vencer um Grand Slam em simples como juvenil – o primeiro foi Tiago Fernandes, no Aberto da Austrália de 2010. “Para a ficha cair, é um pouco complicado porque é algo fora do comum, fora de rotina. Não é algo que acontece todo dia. Então, acho que ainda vai demorar um pouco.”
Após converter seu primeiro match point sobre o italiano Lorenzo Musetti (6/1, 2/6 e 6/2), Wild sentou no chão e sorriu para sua família presente na arquibancada. “Tive uma sensação de alívio, de dever cumprido. A pressão sempre existe, mas eu diria que lidei bem com isso na final.”
Ainda cansado pela viagem de dez horas entre Nova York e Rio, o tenista descartou mudanças em sua rotina de trabalho. “Não pretendo fazer nenhuma mudança porque o trabalho vem dando certo. Como se diz, não se mexe em time que está ganhando.”
O triunfo no US Open encerrou a passagem do paranaense pelo circuito juvenil. A partir de agora, seu foco será todo no profissional, em busca dos cobiçados pontos na ATP. “Minha meta agora é me firmar bem entre o circuito Challenger, sair dos torneios Future e chegar o mais rápido possível no nível de torneio ATP”, diz o atual 461º do ranking da ATP.
Enquanto mira o crescimento entre os profissionais, Wild tenta afastar qualquer comparação com Gustavo Kuerten, o tricampeão de Roland Garros. Para tanto, já tem a sua estratégia. “Tenho que ficar perto do meu time, das pessoas que estão comigo, principalmente da minha família, porque são eles que vão me manter com o pé no chão, trabalhando bem. Eles vão me manter focado no trabalho”, afirma.
Dentro de quadra, o fã do espanhol Rafael Nadal segue evoluindo. Caseiro e tranquilo quando longe da raquete, Wild era conhecido pelas oscilações emocionais durante os jogos. Porém, com a ajuda da meditação, passou a demonstrar o equilíbrio visto neste US Open, principalmente na final. “É atitude que eu tomei para querer me controlar. Basicamente, faço meditação para ajudar.”
Com esta evolução, o paranaense já acumula conquistas em seu início de trajetória no profissional. Nesta temporada, foi campeão do Future de São José do Rio Preto, um torneio de nível US$ 15 mil, e foi vice em outro, disputado em Curitiba, de nível US$ 25 mil.
No ano passado, já havia brilhado na cidade turca de Antalya, com um título e um vice também em nível Future. Além disso, derrubou adversários talentosos, como o chileno Nicolas Jarry no Challenger do Rio, no ano passado. Jarry é o atual 46º do mundo.
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