Barco Caiçara ganha primeira regata na 44ª Semana de Vela de Ilhabela

Sábado à tarde com sol. Famílias sentadas à beira da praia em frente a um tradicional yacht clube em Ilhabela. Barcos de todos os tamanhos atracados no vasto oceano azul compunham uma imagem que mais parecia um quadro. E, sentados um pouco mais a fundo, três amigos rodeados por uma série de equipamentos náuticos trabalhavam […]

Escrito por: Renan Rezende5 min de leitura
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Sábado à tarde com sol. Famílias sentadas à beira da praia em frente a um tradicional yacht clube em Ilhabela. Barcos de todos os tamanhos atracados no vasto oceano azul compunham uma imagem que mais parecia um quadro. E, sentados um pouco mais a fundo, três amigos rodeados por uma série de equipamentos náuticos trabalhavam concentrados, enquanto comiam alguns aperitivos.

Mal sabia que conversaria com os vencedores da primeira regata da 44ª Semana de Vela de Ilhabela.

O comandante, Marcos Oliveira Cesar, estava inteiramente absorvido por uma das funções mais precisas e complexas de qualquer velejador: fazer nós. Parece simples, mas, de acordo com seu colega Carlos Ney Ribeiro, secretário da embarcação, “os nós são a união dos cabos com o seu fim”. “Não adianta ter um cabo que aguente mil toneladas com um nó mal feito.”

Por isso, salienta que um bom nó é essencial para a estabilidade do barco. O secretário tem a função de controlar as adriças, que são cabos que sobem e descem as velas. Já o comandante, além de capitanear os tripulantes, trabalha como o “motorista” do barco, ou timoneiro, atento aos melhores ângulos do vento.

Dupla jornada

Mesmo concentrado, o comandante Marcos foi extremamente solícito e contou com a ajuda de Carlos e Fábio Pillar, o Trimmer do Caiçara, para contar mais sobre o trabalho e desafios de um velejador. Fábio trabalha como estrategista nas regatas, responsável por antever as variações do vento e traçar as melhores táticas.

Único velejador por profissão, o gaúcho Fábio conta como é difícil para os outros colegas conciliarem a vida pessoal e profissional com a vela. Caso alguém falte a um treino, por exemplo, outro tripulante consegue realizar a função, mas todos têm ciência dos motivos da falta e que este voltará e arcará com a responsabilidade.

Esporte que requer muito treino e dedicação, a vela exige um alto grau de experiência no mar, e bom conhecimento climático. Por isso, ele afirma que a competição ocorre no mês de Julho justamente para conciliar com as férias escolares, o que faz com que a Semana Vela se torne um grande evento familiar.

Os tripulantes também afirmam que o inverno não é a melhor época para velejar, ao contrário da primavera e do verão. Eles se baseiam muito nas previsões do tempo de sites especializados. Entretanto, exclusivamente esse ano, eles estavam animados com o clima: muito sol e bons ventos.

Eles competem na categoria C30, com barcos idênticos de 30 pés e capacidade para sete tripulantes de até 540 quilos no total. Esse barco, produzido exclusivamente para competições, é estruturado principalmente por carbono e fibra de vidro e tem como criador o uruguaio naturalizado brasileiro Horácio Carabelli, velejador profissional, engenheiro e projetista, tendo trabalhado em grandes empresas, como a Embraer. O nome da embarcação se dá justamente com a inicial do sobrenome do velejador mais o número de pés do barco.

Pé quente

Ao perguntar se poderia tirar uma foto do trio para ilustrar a matéria, Carlos sugeriu que fizesse isso no dia da regata (domingo), afim de que toda tripulação estivesse na imagem. E perguntado sobre o favoritismo, o comandante Marcos afirmou veementemente que a competição estava em segundo plano. O prazer de velejar, os amigos de anos da vela e a companhia da família são os principais ingredientes do sucesso da Semana, em sua opinião. Realmente, esse clima predomina entre os participantes e em toda cidade.

Tirada a foto, o Caiçara e sua tripulação partiram para o que seria a primeira vitória da categoria C30, depois de aproximadas três horas e cinquenta minutos de competição, e conquistaram a Faixa Azul, o prêmio concedido aos vencedores das regatas. Eles também foram vencedores da Copa Suzuki, que ocorreu no último mês de junho em Ilhabela.

A vitória veio depois de uma decisão tomada pela tripulação na última milha da corrida. Com o barco entre as últimas colocações, foram surpreendidos pela mudança do vento e decidiram seguir pela costa de Ilhabela, ao invés de continuar com os outros competidores que estavam mais próximos a São Sebastião. Não deu outra: o novo vento deu um empurrão maior no Caiçara e garantiu a vitória da equipe.

Coincidência ou não, no dia da entrevista eles disseram que nem sempre o barco que sai na frente ganha. “O vento muda de direção a todo momento, portanto nem sempre um barco vai pegar uma boa variação de vento.” É dever da equipe mudar a direção da vela a todo momento e garantir que nenhum outro concorrente “roube” o seu vento. E deu certo.

Os tripulates do Caiçara serão premiados no dia 15 de julho, último dia da 44ª Semana de Vela de Ilhabela, que será seguida por uma Festa de Encerramento.

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