Rafael Vilas Boas supera a perda de visão com corridas de rua
Aos 18 anos de idade, Rafael Vilas Boas começou a sentir um incômodo nos olhos e foi até um médico, que identificou que sua retina estava descolando. A partir daí, seria necessário a utilização de colírio para uma futura cirurgia que iria corrigir o problema. “Não levei isso muito a sério e por muitas vezes esqueci de usar o colírio”, lembra.


Rafael Vilas Boas supera a perda de visão com corridas de rua
Divulgação/Arquivo Pessoal
Aos 18 anos de idade, Rafael Vilas Boas começou a sentir um incômodo nos olhos e foi até um médico, que identificou que sua retina estava descolando. A partir daí, seria necessário a utilização de colírio para uma futura cirurgia que iria corrigir o problema. “Não levei isso muito a sério e por muitas vezes esqueci de usar o colírio”, lembra.
Infelizmente, após a cirurgia Rafael ficou completamente cego. “No começo me senti revoltado e sem vontade de viver, mas encontrei no esporte uma maneira que encarar a vida e de não desistir dos objetivos”. Hoje, aos 31 anos de idade, Rafael é paratleta e tem como treinador voluntário Sérgio Carvalheira.
Em entrevista ao Meon, Rafael falou sobre a corrida da rua, dificuldades que enfrenta diariamente com a deficiência e a ajuda do treinador Sérgio.
Quais os títulos que já conquistou como atleta?
Fui campeão da prova dos 1500 metros rasos dos Jogos Regionais há seis anos, campeão 14 vezes em provas de rua, entre outros títulos e agora estou me preparando para as meias maratonas do Rio de Janeiro e da Argentina em agosto e setembro, além de competições de nível nacional.
Quais as dificuldades que você enfrenta como deficiente visual?
Sinto muita dificuldade em caminhar pelas ruas de São José dos Campos. Pegar ônibus todos os dias para ir treinar no João do Pulo também é bem complicado. Geralmente eu desço a uns 800 metros do local e vou caminhando até lá para treinar. Não é raro eu bater a canela nos obstáculos que existem nas calcadas esburacadas e cheias de armadilhas para um deficiente visual, sem contar as lixeiras que ficam em locais desapropriados na calcada.
Você pensou em desistir da corrida correto? Por quê?
Antes de conhecer o Sérgio eu sentia que os treinos não evoluíam muito e por muitas vezes não tinha uma pessoa para me guiar e eu acabava ficando sem treinar. Além disso, por falta de patrocínio e apoio, aos poucos fui desistindo de correr.
O que o fez mudar de ideia e qual a importância do Sérgio para você?
No início do ano passado conheci o Sérgio. Ele me trouxe de volta a esperança de fazer parte dos corredores de rua e me convidou para fazer parte da sua equipe de corrida, onde eu pude fazer vários amigos e através dele conseguimos outras pessoas que se sensibilizaram com a minha deficiência e vontade de correr, agora em todas as provas sempre tenho mais de um guia para substituí-lo quando ele está machucado ou não pode correr comigo.
E como é ser guiado por outra pessoa?
Ser guiado por outra pessoa é muito gratificante, por muitas vezes no passado eu não tinha guias para me ajudar nas corridas e acabava fora do circuito de corridas de rua de São José e só ouvia falar sobre os outros corredores deficientes e da dificuldade em arrumar voluntário que goste de correr e que queira correr guiando um cego. Além disso, correr com um professor de educação física é diferente se comparado a pessoas que não tem essa formação, ele começou a me dar dicas sobre minha respiração, movimentação de braços, entrar com o pé certo no chão e ensinou muitas técnicas de corrida que não conhecia.
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