Parar de usar canetas emagrecedoras acelera ganho de peso
Veja informações sobre novo estudo

Um novo estudo publicado nesta quarta-feira (7) na revista médica BMJ acendeu um alerta sobre os efeitos da interrupção do uso de medicamentos emagrecedores. De acordo com a pesquisa, parar o tratamento pode resultar não apenas no ganho de peso novamente, mas também na reversão de benefícios importantes para a saúde cardíaca e metabólica.
+ Receba as notícias do dia – clique AQUI para seguir o canal MEON no WhatsApp
Segundo os pesquisadores, a taxa média de recuperação de peso após o fim do uso desses medicamentos é de 0,4 quilo por mês. Nesse ritmo, a projeção é que os pacientes retornem ao peso anterior ao tratamento em cerca de 1,7 ano. Além disso, indicadores como pressão arterial, colesterol e controle glicêmico tendem a voltar aos níveis pré-tratamento em aproximadamente 1,4 ano.
O estudo também mostrou que o ganho de peso após a interrupção do medicamento é quase quatro vezes mais rápido do que em pessoas que emagrecem apenas com dieta e atividade física. Os resultados foram observados independentemente da quantidade de peso perdida durante o tratamento.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Oxford, em um momento de grande popularidade de medicamentos como a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro), conhecidas popularmente como “canetas emagrecedoras”. Embora indicadas para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, estima-se que cerca de metade dos pacientes interrompa o uso em até 12 meses.
Para entender o que ocorre após a suspensão do tratamento, os pesquisadores analisaram 37 estudos publicados até fevereiro de 2025, envolvendo 9.341 participantes adultos. A duração média do uso dos medicamentos foi de 39 semanas, com acompanhamento médio de 32 semanas após a interrupção.
Além do peso, o reganho mensal foi maior entre usuários de medicamentos do que entre aqueles que participaram de programas comportamentais de controle do peso, como dieta e exercícios físicos, mesmo quando a perda inicial havia sido semelhante.
Efeito rebote é biológico
Para a endocrinologista Alessandra Rascovski, os resultados confirmam que o chamado “efeito rebote” não é apenas consequência de hábitos inadequados. “Ao interromper a medicação, especialmente após grande perda de peso, o corpo reduz a queima calórica e altera os mecanismos de fome e saciedade, favorecendo o reganho”, explica.
Segundo a especialista, mesmo pacientes que mantêm dieta equilibrada e atividade física tendem a recuperar peso. “Isso reforça que a obesidade é uma doença crônica, recidivante e complexa”, afirma.
Rascovski também destaca a preocupação com a perda dos benefícios cardiometabólicos. “A piora do controle da pressão, do colesterol e do diabetes após a interrupção é ainda mais grave. Precisamos planejar o pós-uso, avaliando estratégias para manutenção do peso e da saúde metabólica”, completa.
Limitações e alerta
Os autores reconhecem limitações no estudo, como o número reduzido de pesquisas com os medicamentos mais recentes e o acompanhamento máximo de apenas 12 meses após a suspensão. Ainda assim, ressaltam que diferentes métodos de análise chegaram a conclusões semelhantes, o que fortalece os achados.
Para os pesquisadores, as evidências alertam contra o uso de medicamentos para controle de peso apenas a curto prazo e reforçam a importância de estratégias sustentáveis e de longo prazo. Especialistas também defendem que mudanças no estilo de vida devem continuar sendo a base do tratamento, com os medicamentos atuando como suporte — e não como solução única — no enfrentamento da obesidade.
Posts Relacionados

Casas do Idoso de São José dos Campos montam postos exclusivos para vacinação contra a gripe


Vacinação contra gripe em feiras livres de São José
