#MeonNaEstrada: internauta viajou pelo Peru por 15 dias com R$ 4 mil

Com aproximadamente R$ 4 mil,o internauta Sebastian Paulsen, chileno que mora há 28 anos em São José dos Campos, fez um tour pelo Peru em uma viagem que durou 15 dias. O próprio Sebastian fez questão de descrever abaixo o passeio.

Escrito por: Sebastian Paulsen, especial para o Meon*4 min de leitura
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De início, escolhi ir no mês de outubro, porque em novembro começa a temporada de chuvas em Machu Picchu. Pensar no Peru é invariavelmente remeter-se ao povo Inca e sua cidadela Machu Picchu, referências incontestáveis do país andino. Primeiro, cheguei a Lima e decidi dividir minha estadia em duas partes, ficando no centro histórico e depois no distrito de Miraflores.

De Lima voei para Arequipa, ao sul, onde se inicia o deserto do Atacama. Arequipa é conhecida como a cidade branca pelas construções feitas da pedra vulcânica sillar que é dessa cor. A Plaza de Armas é o eixo do centro histórico, todo branco, colonial. Aqui experimentei o famoso chá de coca, que me acompanhou pelo resto da viagem.

Me apaixonei pela cidade e acabei ficando um dia a mais do que planejava. Arequipa é guardada por vulcões dentre os quais sobressai o Misti, imperdíveis são a catedral, o mirante do Misti e o monastério de Santa Catalina (uma cidade dentro da cidade). A noite acontece nas discotecas e bares dentro das antigas construções coloniais, imperdível!

Machu Picchu
Um voo entre montanhas me levou ao ponto final: Cusco. Aqui senti pela primeira vez os efeitos da altitude. Sentava no chão para recuperar o folego no primeiro dia, mas passa. Chegando é preciso comprar as entradas para o parque de Machu Picchu, pois esgotam. As passagens de trem já havia comprado pela internet.

Feito isso fui conhecer a capital arqueológica da América do Sul. Por todos os cantos há vestígios do povo Inca, paredes feitas de grandes pedras cortadas e encaixadas com uma precisão assustadora, índios vestidos com suas roupas tradicionais e gente do mundo todo.

Uma visita ao Koricancha ou templo do sol, vale para começar. Ali, as ruínas mostram três períodos bem definidos. O período anterior à conquista Inca está na base, são as primeiras pedras. Por cima delas as construções Inca numa clara demonstração de dominação e por cima a igreja espanhola. A cidade toda parece um grande efeito da dominação, um monumento.

O povo fala disto como se tivesse acontecido ontem e apesar de que em termos objetivos a conquista espanhola foi vitoriosa, em termos subjetivos, a “cara” Inca aparece em cada rosto, em cada rua, em cada sabor, fica difícil falar em vitória.

Do ponto de vista espanhol as construções que me chamaram a atenção foram a catedral e, principalmente a igreja da Companhia de Jesus com seus riquíssimos detalhes em ouro. Mas Cusco e seus arredores brilha pelas ruínas do povo Inca. Sacsayhuamán, Tambomachay, Qenko, Ollantaytambo, Moray e as Salinas de Maras, Pisac e Chinchero são todos lugares imperdíveis.

O ponto alto da viagem não podia deixar de ser Machu Picchu. Peguei um trem em Cusco que saia quase de madrugada para chegar bem cedo a Águas Calientes, povoado na base do parque. Dalí um micro-ônibus faz o resto do trajeto rumo ao alto desafiando alguns desfiladeiros, olhar para baixo é uma escolha, se tiver vertigem não olhe!

Na entrada do parque muita gente esperando, procurei um guia e entrei no seu grupo para saber das histórias. Caminha-se por uma trilha e quando se sai dela já se avista a montanha mais alta, aquela das fotos mais características. O impacto me tomou e daí em diante quase não ouvi o que o guia contava.

Uma cidade inteira feita com pedras entalhadas com precisão no alto da montanha, a beira de abismos e tudo com tecnologia “antissísmica”. Uma sensação que só consigo aproximar da palavra surreal!

A visão majestosa de Huayna Picchu, a alta montanha onde habitava o Inca, o rei de todo este império que se alastrava por todo o Peru, parte da Bolívia, Argentina e Chile, tudo parecia ter parado no tempo, inclusive eu. Afastar-me do guia e seu grupo era uma necessidade nesse momento, sentar e ver, tentar deixar plasmado o lugar, o ar, um povo, tentar segurar o tempo para que não me tirasse dali.

De cada lugar carregamos marcas. É preciso ver, escutar, respirar e desfazer-se neles para levar sempre um pouquinho de cada um, aprendi isso no Peru.

(* Sebastian Paulsen, chileno que mora há 28 anos em São José dos Campos, fez um tour de 15 dias pelo Peru com aproximadamente R$ 4 mil. Para dividir sua história com o Meon, o internauta escreveu para [email protected]. O #MeonNaEstrada)

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