Mobiliário jovem: jogos de armar

Milão – Colchões que se espalham pelo chão, dotando um simples pavimento de uma nova topografia. Bancos que giram em torno de seu próprio eixo, exigindo de seus usuários uma postura de permanente atenção às suas condições de equilíbrio. Determinada produção apresentada todos os anos pela Semana de Design de Milão passa ao largo dos argumentos conceituais e dos padrões de gosto.

Escrito por: Marcelo Lima/ENVIADO A MILÃO2 min de leitura
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Criatividade colocada em objetos do cotidiano é marca do evento

Divulgação

Milão – Colchões que se espalham pelo chão, dotando um simples pavimento de uma nova topografia. Bancos que giram em torno de seu próprio eixo, exigindo de seus usuários uma postura de permanente atenção às suas condições de equilíbrio. Determinada produção apresentada todos os anos pela Semana de Design de Milão passa ao largo dos argumentos conceituais e dos padrões de gosto.

Para seus criadores e potenciais consumidores, sobretudo os jovens urbanos, o design parece ser uma experiência urgente e a funcionalidade, apenas uma etapa a ser ultrapassada. E justamente por isso ele agrada tanto: por ter sido feito para ser vivido, mais do que observado. Ou ainda por não ser mais que um gesto de criatividade a ser aplicado diretamente aos objetos de uso cotidiano, sem intermediários.

Rico é seu repertório de formas. Cartolas de mágico transformadas subitamente em bancos com área interna liberada para armazenamento. Escrivaninhas modulares inspiradas nos jogos de montar infantis. Móveis transformáveis para uns. Mal disfarçados convites à brincadeira para os paladares mais puristas.

De uma coisa, porém, todos podem estar certos: uma vez absorvidos pela grande indústria, seus projetos são tratados com o mesmo rigor construtivo e uma a obsessão aos detalhes, sobretudo de acabamento, que nada ficam a dever aos chamados móveis italianos “oficiais” – ainda que, muitas vezes, tenham sido produzidos em pequenos ateliês. Que ninguém duvide portanto de suas boas intenções.

Por trás do discurso lúdico e aparente ironia, existe todo um rol de necessidades objetivas – e urgentes – a serem equacionadas: os reduzidos espaços de moradia, por exemplo. As peripécias de viver dentro de um orçamento limitado. A necessidade de utilizar a casa também como local de trabalho. A falta de tempo para se dedicar ao relaxamento e ao lazer. Que o sejam, ao menos, com energia e bom humor.

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