MP quer evitar invasão de turistas em ilha de Ubatuba
População vai apresentar ao órgão últimas sugestões para finalização de plano


Ilha das couves tem duas praias com cerca de 450m² cada
Divulgação/Google Imagens
O MPF (Ministério Público Federal) deve se reunir nesta sexta-feira (24) com os moradores de Ubatuba para coletar as últimas sugestões, que serão utilizadas para a finalização do estudo de impacto ambiental na Ilha das Couves. O local foi alvo de superlotação de turistas em 2017, chegando a receber até 2.000 visitantes por fim de semana.
O MPF, em conjunto com outras repartições, iniciou há seis meses a pesquisa de capacidade de suporte a respeito da Ilha das Couves. No período, foram identificados diversos fatores de risco ao meio ambiente local, entre eles, prejuízos na qualidade da água, falta de tratamento de esgoto, despejo de dejetos na praia e no mar, derrubamento de árvores, campismo etc.
Para o oceanógrafo Hugo Gallo, presidente do Instituto Argonauta e diretor do Aquário de Ubatuba, o que falta para as regiões com grande concentração de vegetação é uma regulamentação. “Deveria existir um número máximo de pessoas que poderiam entrar na Ilha. Está na hora de pensarmos na restrição do fluxo de pessoas em épocas especificas do ano, como a de alta temporada. Isso traria um equilíbrio ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, não deixaria de proporcionar o lazer ao visitante”, afirma.
A presença do ser humano em locais como a Ilha das Couves muda a característica ambiental local. A preocupação dos ambientalistas é que aquela região sofra com essa influência. “Em logo prazo as aves, os peixes e toda a vida existente no local migrariam para outras lugares e poderiam não sobreviver fora de seus habitats. Há 15 anos, a Ilha das Couves era um dos melhores pontos ambientais da região, mas hoje a realidade mudou”, revela Hugo Gallo.
O diretor de turismo da Prefeitura de Ubatuba Marcos Roberto dos Santos informou que a gestão apoia a inciativa do MPF e que acompanha as tratativas. “Estamos participando de todas as reuniões entre o MPF e a população. Acredito que a prefeitura não tem condições de autuar e também de atuar sozinha neste caso, pois estamos falando de várias jurisprudências. É um trabalho conjunto que está sendo guiado pelo Ministério Público”.
Marcos Roberto se encontrou com a população na tarde desta terça-feira (21) para auxiliar os moradores com as questões que serão levantadas no encontro. Até a publicação desta reportagem ainda não havia um horário e local para a realização da reunião.
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