Mulheres que foram vítimas de violência doméstica são acompanhadas por “programa de proteção” da GCM de São José
Veja como as vítimas podem obter ajuda; entre os serviços estão auxílio moradia e abrigo

A pandemia da Covid-19 chegou ao Brasil em março deste ano e desencadeou, juntamente com a crise de saúde, outros problemas sociais. O aumento do convívio domiciliar, por conta do isolamento social, colocou muitas mulheres vítimas de violência doméstica quase que em cárcere privado com seus agressores.
Os dados de violência doméstica na cidade de São José dos Campos, segundo a Secretaria de Proteção ao Cidadão, quase que se mantiveram estáveis entre 2019 e 2020 mesmo com o aumento da convivência familiar. Entre junho e novembro do ano passado, 24 mulheres foram atendidas e dois agressores foram presos. Já no mesmo período de 2020, 23 mulheres foram atendidas e três agressores foram presos.
Um dos motivos para a estabilidade dos dados pode ser a dificuldade da vítima fazer a denúncia, uma vez que está afastada de amigos e familiares por conta do isolamento social.
“A convivência intensa, a tensão do momento e o próprio isolamento social, longe de parentes e amigos, contribui para casos de violência doméstica e familiar e também para que a mulher deixe de procurar ajuda”, diz Edna Tralli, secretária de Apoio Social ao Cidadão de São José dos Campos.
Contudo, mesmo durante a pandemia, as vítimas podem recorrer as ações de proteção e apoio uma vez que nenhuma delas foi interrompida. Confira:
Patrulha Maria da Penha
Com quase um ano e meio de existência, a Patrulha Maria da Penha da GCM (Guarda Civil Municipal) já realizou mais de 15 mil rondas e visitas e atualmente monitora a segurança de 34 mulheres que foram vítimas de violência doméstica na cidade de São José dos Campos.
As mulheres acompanhadas recebem visitas periódicas onde os guardas verificam se as medidas protetivas estão sendo cumpridas. Ao entrar para o programa, as mulheres passam a ter acesso a um número de WhatsApp para o qual podem ligar e mandar mensagens sempre que se sentirem ameaçadas.
As mulheres que não estão sob proteção e também se sentirem ameaçadas podem ligar para o telefone 153, número específico da GCM que funciona 24 horas.
A Patrulha da Lei Maria da Penha foi implantada no dia 25 de junho de 2019 com o objetivo de garantir a segurança e a integridade física de mulheres vítimas de violência familiar e doméstica. Até o dia 3 de novembro de 2020, 37 agressores foram detidos pela GCM.
Centro de Referência Especializado de Assistência Social
Durante toda a pandemia, os Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) permaneceram em pleno funcionamento para oferecer apoio e acolhimento às vítimas.
O atendimento pode ser presencial, via telefone ou e-mail. A mulher vítima de violência tem disponível orientação jurídica (com advogado), apoio socioassistencial e acompanhamento psicológico individual.
Para as mulheres expostas ao risco dentro de suas casas ou com medidas protetivas, o município oferece o abrigo protetivo onde as mulheres podem obter moradia segura.
Além dos Creas, a prefeitura de São José ainda conta com outros serviços para auxiliar as mulheres vítimas de violência:
– Auxílio Moradia Temporário (R$ 700,00)
– Possibilidade de inserção no programa Pró-Trabalho
– Abrigo Feminino e LGBT
– Abrigo para famílias
Superação
Após 20 anos sofrendo com a violência física e psicológica do companheiro, S.B.S , de 49 anos, conseguiu se livrar de um ciclo obscuro de sua história. Após um episódio de humilhação pública, a mulher procurou ajuda.
Na Delegacia da Mulher, ela registrou um Boletim de Ocorrência contra o marido e foi imediatamente encaminhada para o Creas. Uma equipe do Creas Sul juntou todos os documentos necessários para ela obter a medida protetiva e, pouco tempo depois, o Tribunal de Justiça determinou o afastamento do agressor.
Há quase dois anos livre da violência, S.B.S. relatou, através da assessoria de imprensa da prefeitura de São José, que buscar ajuda foi essencial para sua vida
“O Creas foi tudo, foi meu socorro. Elas [assistentes sociais] me ajudaram a conseguir o que eu queria. […] Vi que não acontecia só comigo e que também poderia ajudar outras mulheres”, disse.
Atualmente, as três unidades do Creas atendem e acompanham 128 mulheres que já foram vítimas de violência doméstica, mas não são mais.
Serviço
Endereços e telefones das unidades do Creas:
Centro-Norte
Rua Sebastião Humel, nº 523, Centro
Telefones: (12) 3923-7200 / 3913-2827 / 3913-2829
Leste
Praça José Molina s/n– Vila Industrial
3941-2800
Sul
Rua José Bento de Moura, 254 – Bosque dos Eucaliptos
3922-5558
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