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Colômbia investiga morte de ex-negociador das Farc Jesús Santrich na Venezuela

O governo colombiano garantiu nesta terça-feira, 18, ter recebido informações da inteligência, ainda em fase de verificação, sobre a morte na Venezuela do ex-negociador de paz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Jesús Santrich, procurado nos Estados Unidos por tráfico de drogas. Santrich foi considerado um traidor do acordo de paz de 2016 e voltou à luta armada em 2019.

O ministro da Defesa, Diego Molano, disse no Twitter que, por meio de informações de inteligência, soube que Santrich havia morrido em "confrontos ocorridos na Venezuela junto com outros criminosos. "Se este fato for confirmado, constata-se que os criminosos de (tráfico de) droga se refugiam na Venezuela", escreveu.

Santrich fez parte da equipe negociadora da guerrilha, que fechou um acordo de paz com o governo do então presidente, Juan Manuel Santos.Após abandonar o acordo junto com Iván Márquez - principal negociador do grupo -, Santrich criou a dissidência Segunda Marquetalia, que atua principalmente na Venezuela com a ajuda de militares locais, segundo a inteligência militar colombiana.

Seuxis Paucias Hernández Solarte tinha 53 anos e era procurado há dois na Colômbia, que oferecia uma recompensa de US$ 620 mil por sua captura. Uma declaração da Segunda Marquetalia - cuja autenticidade não foi verificada - disse que Santrich morreu em uma emboscada executada por membros do Exército colombiano em 17 de maio em território venezuelano, na fronteira de Sierra del Perijá. "O caminhão onde o comandante estava viajando foi atacado com tiros de rifle e explosões de granadas", diz o texto.

A ONG venezuelana Fundaredes indicou que o líder guerrilheiro morreu naquela área de Perijá, no Estado de Zulia, no noroeste da Venezuela. "Os únicos que sabiam exatamente o lugar seguro da presença dos líderes, tanto das Farc quanto do Exército de Libertação Nacional (ELN), na Venezuela eram os que hoje detêm o poder. Sem dúvida, houve uma acomodação", disse Javier Tarazona, diretor da ONG Fundaredes. Questionado pela Agência France-Presse, o governo do presidente Nicolás Maduro não se pronunciou sobre o assunto.

A volta às armas

Antes de voltar a se armar, Santrich estava na mira dos Estados Unidos por sua suposta relação com o narcotráfico após a assinatura da paz. Em abril de 2018 foi capturado para fins de extradição, mas em maio de 2019 foi libertado por um despacho do Supremo Tribunal Federal, que assumiu o seu processo.

Em junho de 2019, serviu por semanas como deputado, mas depois desapareceu e voltou a ser conhecido quando, vestido de militar, anunciou o seu regresso à clandestinidade.

Washington oferece uma recompensa de até US$ 10 milhões por Márquez e Santrich. Conhecido por suas atitudes desafiadoras e mordazes, enquanto era negociador de paz, Santrich sempre alegou inocência e culpou as acusações de tráfico de drogas de falsificações para impedir o acordo de paz.

O líder dissidente, que usava óculos escuros devido a seus problemas visuais graves, cresceu em uma casa de professores. Estudou Direito, formou-se como professor de Ciências Sociais e foi membro da juventude comunista antes de pegar em armas aos 21 anos. Artista amador, Santrich escreve, declama poesias e pinta. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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