Ditadura da Belarus ameaça usar armas letais contra manifestantes
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – A ditadura da Belarus ameaçou nesta segunda-feira (12) usar, “se necessário”, armas letais contra os manifestantes que protestam pela renúncia do ditador Aleksandr Lukachenko desde as eleições consideradas fraudadas, em 9 de agosto. “Não sairemos das ruas e garantiremos a ordem no país. Policiais e militares das…

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – A ditadura da Belarus ameaçou nesta segunda-feira (12) usar, “se necessário”, armas letais contra os manifestantes que protestam pela renúncia do ditador Aleksandr Lukachenko desde as eleições consideradas fraudadas, em 9 de agosto.
“Não sairemos das ruas e garantiremos a ordem no país. Policiais e militares das tropas internas, se necessário, usarão meios especiais e armas militares”, afirmou o vice-ministro do Interior, Gennady Kazakevich, em vídeo publicado em rede social.
A declaração ocorre após o domingo mais violento desde que os bielorrussos passaram a fazer grandes marchas de protesto nas tardes dominicais: 713 foram detidos, e as tropas de choque usaram granadas de dissuasão, gás lacrimogêneo e canhões de água, além de espancarem manifestantes com cassetetes.
Quase 40 jornalistas também foram levados pela polícia “para averiguar documentos”, dificultando a cobertura. Na semana passada, a ditadura bielorrussa cancelou todas as credenciais de correspondentes estrangeiros, e disse que elas serão refeitas sob novo regulamento.
Segundo a Associação de Jornalistas da Belarus, já houve mais de 400 casos de repórteres detidos durante a cobertura de manifestações desde o dia 9 de agosto. Embora os protestos sejam majoritariamente pacíficos, imagens deste domingo (11) mostraram alguns manifestantes arremessando garrafas contra policiais, que estavam em número bem maior que o das semanas anteriores.
Kazakevich afirmou que os protestos estão se enfraquecendo, mas também se tornando mais radicais, o que justifica o uso de força pela ditadura. “Enfrentamos não apenas agressões, mas grupos de militantes, radicais, anarquistas, hooligans”, afirmou o vice-ministro.
“Querem mergulhar a Belarus no caos dos anos 1990 e fazer seguir o caminho das repúblicas que sobreviveram às revoluções coloridas [contra a influência russa].”
Apesar das ameaças do governo, as declarações do ministro repercutiram pouco na mídia independente local. O principal assunto do dia foi o segundo protesto de idosos em Minsk.
Alheios às ameaças do governo, idosos percorreram a principal avenida da capital bielorrussa, vestidos de branco e vermelho e levando bandeiras. “Queremos um país em que nossos filhos e netos sejam livres”, afirmou à reportagem a contadora Galina, 70, que participou da marcha.
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