Egito: Exército abre caminho para El-Sissi concorrer
O exército do Egito deu hoje sinal verde para que seu comandante, Abdel Fattah el-Sissi, possa concorrer à presidência, informou a agência estatal egípcia de notícias. Mais cedo, o homem que liderou o golpe que depôs o presidente Mohamed Morsi, em julho, foi promovido do posto de general ao de marechal de campo, o mais alto do Exército do…

O exército do Egito deu hoje sinal verde para que seu comandante, Abdel Fattah el-Sissi, possa concorrer à presidência, informou a agência estatal egípcia de notícias.
Mais cedo, o homem que liderou o golpe que depôs o presidente Mohamed Morsi, em julho, foi promovido do posto de general ao de marechal de campo, o mais alto do Exército do país, informou a presidência do Egito.
A expectativa é de que El-Sissi vença com facilidade a votação, prevista para abril, uma vez que os principais quadros da oposição foram presos nos meses que se seguiram ao golpe que derrubou o primeiro presidente democraticamente eleito da história egípcia.
“O presidente interino Adly Mansour emitiu um decreto presidencial promovendo o general Abdel Fattah el-Sissi, ministro da Defesa, ao posto de marechal de campo”, diz o comunicado.
Com a autorização da cúpula militar, a expectativa agora é de que El-Sissi renuncie para concorrer às eleições presidenciais.
A promoção aconteceu depois de multidões terem realizado manifestações no final de semana pedindo que El-Sissi concorra ao cargo. Jornais privados, ligados aos militares, publicaram em suas manchetes desta segunda-feira que ele anunciará sua candidatura “em breve”.
El-Sissi, que era general antes da promoção, ainda tem de anunciar suas intenções. Seus partidários o consideram o “salvador da pátria” depois do golpe contra Morsi em 3 de julho, o que aconteceu depois de dias de protestos contra seu governo.
Desde então, as forças de segurança têm colocado em prática uma dura campanha de repressão contra a Irmandade Muçulmana, grupo do qual Morsi faz parte, e a outros islamitas, prendendo milhares e matando centenas de pessoas, embora esses grupos façam manifestações pedindo a volta de Morsi.
O general reformado Hossam Sweilam, analista que ainda é bastante próximo às Forças Armadas, disse acreditar que a promoção foi uma honraria antes de El-Sissi disputar as eleições.
“Esta é uma medida tardia do Estado para homenagear o homem que retirou a Irmandade Muçulmana do poder”, disse ele à Associated Press. “A medida serve para abrir caminho para que ele deixe o Exército com o título mais alto e participe das eleições.”
Pela lei, um membro das Forças Armadas não pode concorrer à presidência. No domingo, o presidente interino Adly Mansour anunciou que as eleições presidenciais serão realizadas antes das parlamentares, alterando a ordem inicialmente estabelecida por um plano de transição apresentado pelos militares após a queda de Morsi.
A eleição presidencial deve acontecer antes do final de abril e o pleito parlamentar, até o final de julho. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.
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