Novo acordo mantém coalizão de direita e evita eleição antecipada na Polônia
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – A reorganização do governo evitou uma racha na coalizão partidária que exerce o poder na Polônia. A estabilidade do grupo havia sido abalada na madrugada do dia 18, quando partidos menores votaram contra um projeto de bem-estar animal proposto pelo ex-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski. Líder do partido…

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – A reorganização do governo evitou uma racha na coalizão partidária que exerce o poder na Polônia. A estabilidade do grupo havia sido abalada na madrugada do dia 18, quando partidos menores votaram contra um projeto de bem-estar animal proposto pelo ex-primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski.
Líder do partido governista Lei e Justiça (PiS), maior agremiação da Polônia, Kazcynski é o político mais poderoso do país, embora não exercesse nenhum cargo no governo.
Agora, cogita-se que ele assumirá como vice-primeiro-ministro, embora sua participação não faça parte do acordo assinado entre os partidos na manhã deste sábado.
Com a coalizão Direita Unida preservada, o PiS evita cenários mais desfavoráveis, como o de exercer um governo de minoria (no qual estaria mais suscetível a votos de desconfiança) ou ver-se obrigado a antecipar eleições gerais, marcadas para 2023.
“Temos três anos pela frente até as próximas eleições parlamentares e estou absolutamente certo de que esses anos serão bem gastos pela Polônia”, afirmou Kaczynski antes de assinar o novo acordo da Direita Unida.
O documento confirma a redução no número de cargos de vice-ministros, secretários e subsecretários, projeto de Kazcynski que foi um dos motivos da insubordinação, na votação de sexta, de seu ultraconservador ministro da Justiça, Zbigniew Ziobro, do partido Polônia Solidária.
A expectativa era que o número de ministérios caísse de 20 para 14, reduzindo de 2 para 1 os postos ocupados pelos partidos menores na coligação, o Acordo e o Polônia Solidária. Segundo o anúncio do PiS, os partidos declararam no acordo “estreita cooperação dentro da bancada parlamentar”.
Sozinho, o PiS tem 197 dos 460 deputados. A maioria no Parlamento é obtida com 19 membros do Polônia Solidária, 18 do Acordo e 1 do Partido Republicano.
Ainda sem todos os detalhes sobre a nova coalizão, analistas políticos divergiam sobre os maiores perdedores ou ganhadores do estremecimento no bloco governista.
Para os analistas, Kazcynski perde se precisar ingressar no governo para manter a paz na coalizão, porque passa a ser vidraça em vez de apenas eminência parda.
Já o atual Ministro da Justiça, segundo eles, sai chamuscado da tentativa de mostrar independência na votação da semana passada. Além de quase inviabilizar a coalizão, sua pasta pode ser uma das mais esvaziadas, pois passaria para a supervisão de Kazcynski se o líder virar vice-primeiro-ministro.
O líder do PiS tem resistido a tentativas de Ziobro de empurrar a pauta política do governo mais para a direita, com restrições às ONGs e a direitos dos LGBT.
O Ministro da Justiça é o responsável pela proposta de tirar a Polônia da Convenção de Istambul (contra a violência doméstica), que chama de ” criação feminista que visa justificar a ideologia gay”.
PiS e Polônia Solidária, porém, estão unidos no objetivo de aumentar o controle sobre a mídia, expulsando empresas estrangeiras.
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