Santiago Peña presta depoimento ao Ministério Público um dia após impeachment e prisão no Paraguai
Ex-presidente é investigado por suspeitas ligadas à quebra do Ueno Bank e nega irregularidades; vice Pedro Alliana assumiu a Presidência

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña compareceu na manhã deste sábado (7) à sede do Ministério Público, em Assunção, para prestar depoimento aos promotores, acompanhado do advogado Ricardo Preda, segundo informou a própria Promotoria paraguaia. Peña foi destituído do cargo pelo Senado na sexta-feira (6) e detido em seguida por ordem da Justiça.
De acordo com a rádio pública americana NPR, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar. Ele nega irregularidades.
Impeachment aprovado por unanimidade
O Senado paraguaio aprovou o impeachment de Peña por unanimidade na sexta, sob a acusação de mau desempenho de funções. Na quinta-feira (5), o então presidente havia apresentado renúncia ao Congresso, mas os parlamentares não aceitaram o pedido e seguiram com o processo de destituição, o que fez Peña perder a imunidade.
Em mensagem publicada nas redes sociais antes do fim da sessão, Peña disse que decidiu deixar o cargo para evitar novos danos ao país e pediu desculpas aos paraguaios caso tenha falhado com eles.
O vice-presidente Pedro Alliana tomou posse como presidente e deve cumprir o restante do mandato, até agosto de 2028. Em discurso, Alliana afirmou que vai adotar medidas para compensar os clientes que perderam dinheiro com a quebra do banco.
O que pesa contra o ex-presidente
O Ministério Público paraguaio passou a investigar Peña após denúncia de parlamentares da oposição. Segundo a Promotoria, há suspeitas de abuso de confiança, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude administrativa ligadas ao Ueno Bank.
Peña foi acionista da Ueno Holding, empresa ligada ao grupo controlador do banco, até março de 2025. Segundo a imprensa local, depois que ele assumiu a Presidência, em 2023, a instituição recebeu depósitos de órgãos públicos que somam cerca de US$ 850 milhões (aproximadamente R$ 4,5 bilhões).
A crise do Ueno Bank
O Ueno Bank, banco digital com cerca de 3 milhões de clientes, mais da metade da população adulta do país, teve as operações suspensas pelo Banco Central do Paraguai na terça-feira (3), depois de ser considerado insolvente, ou seja, sem recursos para honrar seus compromissos. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que antes havia comandado o Ueno Bank, renunciou ao cargo.
A intervenção deixou milhares de pessoas sem acesso ao próprio dinheiro e provocou protestos em Assunção ao longo da semana. Peña é o primeiro presidente paraguaio afastado do cargo desde Fernando Lugo, em 2012.
Com informações do Metrópoles e da NPR.
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