Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio a pedido de impeachment pelo caso Ueno Bank
Presidente anunciou a decisão em vídeo enquanto deputados discutiam o juicio político; Partido Colorado quer que o vice Pedro Alliana assuma

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai renunciar ao cargo. A decisão foi comunicada em um vídeo gravado na residência oficial, Mburuvicha Róga, enquanto a Câmara dos Deputados do país discutia um pedido de impeachment (juicio político) contra ele por causa da crise do Ueno Bank, o maior banco digital paraguaio.
“He tomado la decisión de presentar mi renuncia a la presidencia de la República”, afirmou Peña. Segundo ele, a decisão foi tomada “pensando na estabilidade” do país, “na paz social” e na preservação das instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população “se em algum momento” falhou e disse que sua prioridade é garantir a devolução do dinheiro de quem tinha depósitos no banco.
Quem assume o governo
A renúncia precisa ser formalmente apresentada e aceita pelo Congresso paraguaio. De acordo com a imprensa local, o Partido Colorado (ANR), de Peña, afirmou que a intenção é que o vice-presidente, Pedro Alliana, assuma a Presidência. Senadores colorados já discutem quem ocuparia a vice-presidência; o nome do senador Antonio Barrios é citado como favorito, segundo o jornal Infobae.
Senadores da oposição, porém, disseram que vão votar contra a aceitação da renúncia e defender a destituição de Peña. Segundo eles, ao renunciar, o ex-presidente manteria o foro como senador vitalício, o que não aconteceria em caso de impeachment.
O pedido de impeachment
Na quarta-feira (4), um grupo de 35 deputados apresentou a acusação de juicio político contra Peña e contra o vice Pedro Alliana. O texto atribui ao presidente conflito de interesses por causa de sua participação acionária na Ueno Holding, controladora do banco. Segundo o jornal ABC Color, Peña foi acionista do grupo até 2025.
A situação do presidente se agravou nesta quinta, quando o ex-presidente Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado e padrinho político de Peña, anunciou que o partido apoiaria o processo.
A crise do Ueno Bank
O Banco Central do Paraguai (BCP) decretou a resolução (liquidação) do Ueno Bank nesta semana, depois que o índice de solvência da instituição caiu abaixo de 50% do mínimo exigido. Aplicativos e cartões deixaram de funcionar para quase três milhões de clientes, segundo dados do próprio banco, em um país de cerca de 7 milhões de habitantes.
O presidente do BCP, Carlos Carvallo, deixou o cargo a pedido de Peña. A Promotoria paraguaia ordenou a prisão de oito diretores do banco, e a Justiça decretou a prisão preventiva de um dos fundadores, Miguel Vázquez. Segundo entidades de segurados, fundos públicos e previdenciários depositados no banco superam US$ 860 milhões.
Peña, economista e ex-ministro da Fazenda, tomou posse em 15 de agosto de 2023, com mandato até 2028.
Com informações do ABC Color, do Infobae e do Metrópoles.
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