Surto de Ebola no Congo acende alerta internacional, mas risco de pandemia global é considerado baixo
Saiba mais

O avanço do novo surto de Ebola na República Democrática do Congo tem mobilizado autoridades de saúde em diferentes países e gerado preocupação internacional diante do aumento de casos e mortes provocados pela doença. Apesar do cenário alarmante na África Central, especialistas e organismos internacionais afirmam que o risco de uma pandemia global permanece considerado baixo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente o surto como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”, após a rápida disseminação da doença na província de Ituri, no nordeste do Congo, e o registro de casos em Uganda.
Segundo autoridades sanitárias, ao menos 62 pessoas morreram até o momento em decorrência do vírus. Modelos epidemiológicos desenvolvidos pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que o atual surto pode se tornar um dos maiores já registrados caso medidas rigorosas de contenção não sejam implementadas rapidamente.
Disseminação pode ter começado meses antes
De acordo com investigações preliminares, a circulação do vírus pode ter começado ainda em fevereiro deste ano, muito antes da confirmação oficial do surto.
O primeiro caso suspeito teria ocorrido na cidade mineradora de Mongbwalu, onde dezenas de mortes foram registradas nas semanas seguintes. Inicialmente, as autoridades locais acreditavam tratar-se de tuberculose. Os primeiros testes para Ebola deram negativo porque buscavam a cepa Zaire, mais comum, enquanto o atual surto é causado pela cepa Bundibugyo, considerada mais rara.
Especialistas alertam que o atraso na identificação da doença favoreceu a transmissão comunitária. A OMS reforçou que “tempo perdido significa transmissão ganha” em situações de surtos infecciosos.
Ebola é altamente infeccioso, mas pouco transmissível
Embora o Ebola seja frequentemente associado a grandes temores globais, especialistas destacam que o vírus não possui o mesmo potencial de transmissão de doenças respiratórias como Covid-19 ou sarampo.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas em estágio avançado da doença. Por isso, profissionais de saúde, familiares e cuidadores estão entre os grupos mais vulneráveis.
Os principais sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo e fadiga. Em fases mais graves, podem surgir vômitos, diarreia e sangramentos.
A situação no Congo, entretanto, é agravada pelas dificuldades estruturais da região afetada, marcada por conflitos armados, baixa infraestrutura hospitalar e desconfiança da população em relação às autoridades sanitárias.
Rastreamento de contatos enfrenta dificuldades
Uma das principais estratégias para controlar o avanço do Ebola é o rastreamento de contatos, utilizado para identificar pessoas que tiveram exposição ao vírus e interromper cadeias de transmissão.
No entanto, a OMS informou que ainda não conseguiu monitorar sequer metade dos contatos identificados. O objetivo da organização é alcançar mais de 90% das pessoas potencialmente expostas.
A insegurança provocada por conflitos violentos na região e a resistência de comunidades locais às equipes médicas dificultam as ações de contenção da doença.
Vacinas e tratamentos ainda estão em desenvolvimento
A vacina atualmente aprovada contra o Ebola foi desenvolvida durante o grande surto ocorrido entre 2014 e 2016 na África Ocidental. Contudo, ela é voltada principalmente à cepa Zaire e ainda não há confirmação sobre sua eficácia contra a cepa Bundibugyo.
Atualmente, ao menos três vacinas específicas estão em fase de desenvolvimento por instituições internacionais, incluindo projetos ligados à Moderna, à Universidade de Oxford e ao Serum Institute of India.
Além disso, pesquisadores estudam terapias experimentais com anticorpos monoclonais e antivirais orais que podem auxiliar no tratamento da doença.
Copa do Mundo não deve aumentar risco global
Mesmo com a realização de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo sediada na América do Norte, especialistas afirmam que o risco de disseminação global do Ebola permanece baixo.
Isso porque pacientes em estágio contagioso normalmente apresentam sintomas graves, dificultando deslocamentos e participação em eventos públicos.
Ainda assim, autoridades dos Estados Unidos adotaram protocolos especiais de triagem para passageiros provenientes de países afetados pelo surto, incluindo República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul.
Especialistas reforçam que a resposta rápida das autoridades de saúde pública, aliada ao monitoramento internacional e à informação adequada da população, é considerada fundamental para impedir que o surto alcance proporções maiores.
Foto: Frederick Murphy/CDC/AP via CNN Newsource
Posts Relacionados

Padre morre após ser atingido por cruz durante missa transmitida ao vivo no Equador

Papa Leão XIV recebe alta hospitalar após cirurgia para tratar câncer de pulmão

Tesla Roadster promete acelerar a 100 km/h em menos de 1 segundo e até flutuar
