Surto de Ebola no Congo acende alerta internacional, mas risco de pandemia global é considerado baixo

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Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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O avanço do novo surto de Ebola na República Democrática do Congo tem mobilizado autoridades de saúde em diferentes países e gerado preocupação internacional diante do aumento de casos e mortes provocados pela doença. Apesar do cenário alarmante na África Central, especialistas e organismos internacionais afirmam que o risco de uma pandemia global permanece considerado baixo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente o surto como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”, após a rápida disseminação da doença na província de Ituri, no nordeste do Congo, e o registro de casos em Uganda.

Segundo autoridades sanitárias, ao menos 62 pessoas morreram até o momento em decorrência do vírus. Modelos epidemiológicos desenvolvidos pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que o atual surto pode se tornar um dos maiores já registrados caso medidas rigorosas de contenção não sejam implementadas rapidamente.

Disseminação pode ter começado meses antes

De acordo com investigações preliminares, a circulação do vírus pode ter começado ainda em fevereiro deste ano, muito antes da confirmação oficial do surto.

O primeiro caso suspeito teria ocorrido na cidade mineradora de Mongbwalu, onde dezenas de mortes foram registradas nas semanas seguintes. Inicialmente, as autoridades locais acreditavam tratar-se de tuberculose. Os primeiros testes para Ebola deram negativo porque buscavam a cepa Zaire, mais comum, enquanto o atual surto é causado pela cepa Bundibugyo, considerada mais rara.

Especialistas alertam que o atraso na identificação da doença favoreceu a transmissão comunitária. A OMS reforçou que “tempo perdido significa transmissão ganha” em situações de surtos infecciosos.

Ebola é altamente infeccioso, mas pouco transmissível

Embora o Ebola seja frequentemente associado a grandes temores globais, especialistas destacam que o vírus não possui o mesmo potencial de transmissão de doenças respiratórias como Covid-19 ou sarampo.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas em estágio avançado da doença. Por isso, profissionais de saúde, familiares e cuidadores estão entre os grupos mais vulneráveis.

Os principais sintomas iniciais incluem febre, dores no corpo e fadiga. Em fases mais graves, podem surgir vômitos, diarreia e sangramentos.

A situação no Congo, entretanto, é agravada pelas dificuldades estruturais da região afetada, marcada por conflitos armados, baixa infraestrutura hospitalar e desconfiança da população em relação às autoridades sanitárias.

Rastreamento de contatos enfrenta dificuldades

Uma das principais estratégias para controlar o avanço do Ebola é o rastreamento de contatos, utilizado para identificar pessoas que tiveram exposição ao vírus e interromper cadeias de transmissão.

No entanto, a OMS informou que ainda não conseguiu monitorar sequer metade dos contatos identificados. O objetivo da organização é alcançar mais de 90% das pessoas potencialmente expostas.

A insegurança provocada por conflitos violentos na região e a resistência de comunidades locais às equipes médicas dificultam as ações de contenção da doença.

Vacinas e tratamentos ainda estão em desenvolvimento

A vacina atualmente aprovada contra o Ebola foi desenvolvida durante o grande surto ocorrido entre 2014 e 2016 na África Ocidental. Contudo, ela é voltada principalmente à cepa Zaire e ainda não há confirmação sobre sua eficácia contra a cepa Bundibugyo.

Atualmente, ao menos três vacinas específicas estão em fase de desenvolvimento por instituições internacionais, incluindo projetos ligados à Moderna, à Universidade de Oxford e ao Serum Institute of India.

Além disso, pesquisadores estudam terapias experimentais com anticorpos monoclonais e antivirais orais que podem auxiliar no tratamento da doença.

Copa do Mundo não deve aumentar risco global

Mesmo com a realização de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo sediada na América do Norte, especialistas afirmam que o risco de disseminação global do Ebola permanece baixo.

Isso porque pacientes em estágio contagioso normalmente apresentam sintomas graves, dificultando deslocamentos e participação em eventos públicos.

Ainda assim, autoridades dos Estados Unidos adotaram protocolos especiais de triagem para passageiros provenientes de países afetados pelo surto, incluindo República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul.

Especialistas reforçam que a resposta rápida das autoridades de saúde pública, aliada ao monitoramento internacional e à informação adequada da população, é considerada fundamental para impedir que o surto alcance proporções maiores.

Foto: Frederick Murphy/CDC/AP via CNN Newsource

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