Terremotos devastam a Venezuela e deixam ao menos 164 mortos

País enfrenta maior abalo sísmico em mais de um século

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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A Venezuela vive uma das maiores tragédias de sua história recente após ser atingida por dois fortes terremotos na noite de quarta-feira (24). Segundo o balanço mais recente divulgado pela presidente interina Delcy Rodríguez, pelo menos 164 pessoas morreram, cerca de mil ficaram feridas e milhares seguem desaparecidas sob os escombros. As equipes de resgate continuam as buscas por sobreviventes em diversas regiões afetadas.

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Os tremores ocorreram com apenas 39 segundos de intervalo. O primeiro registrou magnitude 7,2 e o segundo, ainda mais intenso, alcançou 7,5 na escala Richter. O epicentro foi localizado próximo à cidade de Morón, no norte do país, mas os abalos foram sentidos em grande parte do território venezuelano e até em países vizinhos.

Caracas e La Guaira concentram destruição

As regiões mais atingidas foram a capital Caracas e o estado costeiro de La Guaira. Imagens divulgadas por autoridades e veículos internacionais mostram prédios desabados, vias destruídas, hospitais sobrecarregados e milhares de pessoas deixando suas casas por medo de novos tremores. O governo decretou estado de emergência e mobilizou forças de segurança, bombeiros e equipes médicas para atuar nas áreas afetadas.

Mais de 500 equipes de resgate trabalham em operações de busca e salvamento. A expectativa das autoridades é que o número de vítimas aumente nas próximas horas, à medida que os trabalhos avancem nos edifícios que desabaram.

Maior terremoto em mais de 100 anos

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os tremores registrados nesta semana estão entre os mais fortes já documentados na Venezuela e representam o maior evento sísmico a atingir o país em mais de um século. O único terremoto mais intenso registrado na região ocorreu em 1900, quando um abalo de magnitude 7,7 atingiu a costa norte venezuelana.

Especialistas destacam que a combinação de dois terremotos de grande magnitude em menos de um minuto ampliou significativamente os danos estruturais. Construções já fragilizadas pelo primeiro tremor acabaram colapsando durante o segundo abalo, aumentando o número de vítimas e a extensão da destruição.

Edifícios antigos agravaram impacto

Especialistas apontam que a idade avançada de muitos prédios venezuelanos contribuiu para o elevado nível de destruição observado em Caracas e outras cidades. Grande parte das construções afetadas foi erguida antes da adoção de normas modernas de engenharia antissísmica, tornando-as mais vulneráveis a tremores dessa intensidade.

A situação é ainda mais preocupante porque muitos edifícios que permaneceram de pé apresentam danos estruturais severos e poderão ser interditados, deixando milhares de famílias sem moradia.

Alerta internacional e ajuda humanitária

O USGS classificou o desastre como de alto potencial destrutivo e estima que o número final de vítimas pode ser muito superior ao balanço inicial divulgado pelas autoridades. Países como Estados Unidos, Espanha e França já manifestaram disposição para enviar ajuda humanitária e equipes especializadas em resgate.

Delcy Rodríguez anunciou a criação de um fundo emergencial de US$ 200 milhões para a reconstrução da infraestrutura atingida. O governo também suspendeu aulas, interrompeu serviços de transporte em algumas regiões e mantém monitoramento constante devido ao registro de dezenas de réplicas após os terremotos principais.

País enfrenta corrida contra o tempo

Com centenas de desaparecidos e dezenas de edifícios reduzidos a escombros, a Venezuela vive uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes. Especialistas alertam que as próximas 72 horas serão decisivas para o sucesso das operações de resgate.

Enquanto o país tenta lidar com os impactos da tragédia, moradores enfrentam falta de energia, dificuldades de comunicação e incertezas sobre a segurança das estruturas que permaneceram em pé. A expectativa é que os prejuízos econômicos e sociais do desastre sejam sentidos por muitos anos.

Foto: Reuters

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