Museu da Imigração expõe intervenção de visitantes durante 15ª Semana de Museus
Na 15º Semana Nacional de Museus que segue até domingo (21), o Museu da Imigração (MI), em São Paulo, conta com uma programação especial, embora a temporada cultural já tenha começado com o Laboratório Museológico Hacker, realizado nos últimos dias 6 e 13 de maio. Os participantes desenvolveram dispositivos como cola

Na 15º Semana Nacional de Museus que segue até domingo (21), o Museu da Imigração (MI), em São Paulo, conta com uma programação especial, embora a temporada cultural já tenha começado com o Laboratório Museológico Hacker, realizado nos últimos dias 6 e 13 de maio. Os participantes desenvolveram dispositivos como colagens e aplicações sobre as obras da exposição permanente, em uma intervenção que os organizadores chamaram de hackear, inserindo outros olhares e narrativas não contemplados.

Internvenção do público sobre o acervo permanente do Museu da Imigração estará em exibição durante a 15ª Semana Nacional de Museus
Essas intervenções ficarão expostas aos visitantes até o fim da Semana de Museus. “A partir do tema da Semana Nacional de Museus, Dizer o indizível, pensamos em hackear a exposição para acrescentar coisas que acreditamos que faltava e ainda preencher brechas na exposição”, esclarece o educador do Núcleo Educativo do MI, Luiz Gregório Gutierrez de Camargo. A exposição permanente conta com réplica de refeitório, dormitório, alojamento, livros de registros e objetos de uso pessoal dos imigrantes.
“Para fazer isso de forma democrática, o público foi convidado a participar do laboratório. Eles viram o que faltava e definiram as alterações, que resultaram em sete intervenções no espaço para acrescentar coisas e questionar outras”, esclareceu o educador. Entre outras exposições, o museu também exibe a mostra fotográfica Vidas Refugiadas, focada no cotidiano de oito mulheres refugiadas que vivem no Brasil.
A professora de história de uma escola da zona oeste da capital, Ana Letícia de Camargo Madeira Gömör, aprovou a inciativa. “Sou fanática por museus, então acho que temos mesmo que levar as crianças a este tipo de passeio. Como faz parte da nossa história, temos que incentivar e trazer as crianças aqui”. A professora mostrou para a turma de estudantes a lição dada em sala de aula. “Apresentei a hospedaria para eles entenderem como se dá o processo de imigração e situação do imigrante no país”.
Aluna do 5º ano, Maria Fernanda de Souza Afonso, ficou impressionada com o dormitório e diz que aprendeu a lição. “Como já estudamos sobre a imigração, é bem melhor rever tudo, não pela apostila, mas no museu, para ver a história, onde eles [os imigrantes] dormiam e todas as imagens antigas”.
A estudante Marcela Frachilongo, 10, também ficou impressionada com o dormitório. “Visitei o dormitório e gostei mais dos objetos do que das imagens”. Já a colega dela, Ana Luzia Nigro, ficou impressionada com os instrumentos médicos do passado e aprovou a Semana Nacional de Museus. “Têm várias pessoas que poderiam vir, e com esta semana podem conhecer mais os museus”. O estudante Gustavo Oliveira de Carvalho não soube escolher um só ponto do museu porque gostou de tudo. “É um lugar majestoso para a gente estudar a história”.
Programação no MI
No sábado (20), ocorre a Maratona de Edição – Edit-a-thon, em que o grupo Wiki Educação Brasil, filiado à Wikimedia Foundation, promoverá uma maratona de edição com a equipe do Museu da Imigração. O objetivo é debater os movimentos migratórios, aprimorando os conteúdos disponíveis na Wikipédia. A programação começa às 10h, no Centro de Preservação, Pesquisa e Referência do MI.
Já nos dias 21, 23, 24 e 28 de maio, o museu recebe as intervenções teatrais do espetáculo Eu Tenho uma História. A partir da linguagem artística do Teatro de Objetos, os atores do grupo Sobrevento criam pequenas cenas que retratam histórias dos tradicionais bairros do Brás e do Belenzinho. Os roteiros, construídos por meio da coleta de depoimentos de moradores e relatos de jornais, mostram personagens que tiveram suas vidas transformadas pela região. As sessões começam sempre às 15h e ocorrem em diferentes ambientes do MI.
O núcleo educativo do MI ainda oferece, durante a Semana de Museus, visitas guiadas pela exposição de longa duração, estimulando o diálogo sobre o tema Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus. Os passeios ocorrem aos sábados e domingos, a partir das 11h.
Toda a programação é gratuita e, para participar das atividades educativas, é preciso fazer inscrição pelo e-mail [email protected]. O Museu da Imigração fica na Rua Visconde de Parnaíba, 1316, na Mooca, e fica aberto de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos das 10h às 17h. A programação completa pode ser vista no link http://museudaimigracao.org.br/mi-oferece-programacao-especial-durante-15a-semana-de-museus/
Atrações paulistas
Ainda em São Paulo, o Museu da Diversidade foca nas identidades de gênero, orientações sexuais e expressões de gênero das minorias sexuais. É um espaço de convivência, manutenção da memória da população LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros] e estudos acerca da diversidade sexual. Também participa da programação o Museu Catavento. Criado em 2009, o local atingiu a marca de 2,5 milhões de visitantes em seis anos de operação, tendo sido o museu mais visitado do estado de São Paulo por três anos consecutivos. O Catavento apresenta a ciência de forma instigante.
15º Semana Nacional de Museus
A Semana de Museus, promovida anualmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), tem contribuído para aproximar a população brasileira dos museus. Dentre as instituições participantes na edição deste ano não estão apenas museus, mas também casas e centros de cultura, universidades, memoriais, arquivo histórico, escolas e até um hospital.
O tema da edição de 2017 é Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus, proposto para ser trabalhado em atividades diversificadas pelos 1.070 museus inscritos em 485 municípios, que trarão uma programação especial com mais de 3 mil atividades como palestras, workshops, saraus culturais de artesanato, artes plásticas, literatura e música, peças de teatro, contação de histórias e garimpo de objetos antigos em acervo de colecionadores.
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