Nem toda dor é para ser silenciada
A psicanálise nos lembra que nem toda dor é patológica

Vivemos em uma época que promete alívio para tudo. Ansiedade, insônia, tristeza — há sempre algo que se apresenta como solução. Entre essas promessas, o canabidiol ganhou espaço como alternativa moderna, natural e aparentemente segura.
No entanto, mais do que discutir sua eficácia, talvez seja necessário sustentar uma pergunta anterior: o que estamos tentando silenciar quando buscamos alívio?
A psicanálise nos lembra que nem toda dor é patológica. Há sofrimentos que fazem parte da experiência humana — como o luto, a perda e a angústia diante da finitude. São dores que não pedem apagamento, mas travessia.
Isso não significa recusar recursos terapêuticos. Em alguns casos, o canabidiol pode auxiliar na atenuação de sintomas, oferecendo melhores condições para que o sujeito sustente seu processo. Ainda assim, ele não substitui aquilo que é da ordem do viver.
Entre o alívio e a dor, existe um limite. E talvez seja justamente nele que se inicia uma outra forma de cura — não a que elimina o sofrimento, mas a que transforma, elabora e amadurece o sujeito.
Foto: IA

Além do Salto
Pricila de Fátima Alves é psicanalista, educadora e especialista em desenvolvimento humano. Atua na formação de profissionais da educação e no desenvolvimento de metodologias voltadas à aprendizagem, cognição e desenvolvimento integral. Atualmente, coordena projetos pedagógicos na área de Neuroeduca…
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