No circo de Veneza, o Leão é do Coringa
Num gesto louvável de reverência à potência estética e de respeito a revezes políticos da História, a cineasta argentina Lucrecia Martel, presidenta do júri do 76º Festival de Veneza passou por cima de preconceitos e patrulhamentos, concedendo o Leão de Ouro de 2019 a um filme derivado das HQs: “Coringa”, de Todd Phillips. Festejado como…

Num gesto louvável de reverência à potência estética e de respeito a revezes políticos da História, a cineasta argentina Lucrecia Martel, presidenta do júri do 76º Festival de Veneza passou por cima de preconceitos e patrulhamentos, concedendo o Leão de Ouro de 2019 a um filme derivado das HQs: “Coringa”, de Todd Phillips.
Festejado como obra-prima em sua passagem pelo Lido, o longa-metragem, ambientado na Gotham City de 1981, traz uma avassaladora atuação de Joaquin Phoenix como o vilão número um dos quadrinhos da DC Comics, protagonizando um projeto produzido por Martin Scorsese.
Igualmente corajosa foi a decisão de e de seu júri – formado pelos realizadores Paolo Virzì, Tsukamoto Shinya e Mary Harron; o historiador e crítico Piers Handling; o diretor de fotografia Rodrigo Prieto; e a atriz Stacy Martin – em conceder o Grande Prêmio do Júri a “J’Accuse”, de Roman Polanski. O filme é uma discussão sobre intolerância a partir da recriação de um caso de prisão por justa causa, motivada por antissemitismo, o escândalo Dreyfus), revisitado pelo octogenário cineasta com um requinte singular.
Brasil
Para o Brasil houve uma dupla comemoração. Estreante na direção de longas, a atriz gaúcha Bárbara Paz foi laureada com o prêmio de melhor documentário por “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou”. A produção faz um balanço sentimental da vida e da obra de Hector Babenco (1946-2016), diretor de sucessos como “Carandiru” (2003), com quem Bárbara foi casada. Ela assina o roteiro ao lado de Maria Camargo, autora de sucessos da TV como “Dois irmãos” (2017) e o recente “Assédio”.
O Brasil conquistou ainda um prêmio na competição de filmes em Realidade Virtual, dado à produção “A linha”, de Ricardo Laganaro. Ambos integravam júris paralelos ao de Lucrecia, que laureou o doc “La mafia non è più quella di una volta”, de Franco Maresco, sobre a conivência dos italianos com o crime.
A única animação em concurso também não foi esquecida pela diretora de “Zama” (2017): egresso da China, o diretor Yonfan levou o prêmio de melhor roteiro por “N.7 Cherry Lane”. Luca Marinelli, galã em ascensão nas telas da Itália foi laureado por seu desempenho como um aspirante a escritor em “Martin Eden”. Já a veterana Ariane Ascaride enfim conquistou um troféu à altura de seu talento dramático ao ser laureada por “Gloria Mundi”.
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