NR-1: cumprir a norma não será suficiente
O aumento dos afastamentos por questões emocionais mostra que o desafio das empresas não é apenas atender a legislação, mas transformar ambientes de trabalho de forma genuína
Os números acenderam um alerta que já não pode mais ser ignorado. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o Brasil registrou, em 2024, o maior número de afastamentos por transtornos mentais da última década. Ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outros adoecimentos emocionais passaram a ocupar espaço relevante nas estatísticas de saúde do trabalhador, impactando pessoas, equipes e resultados. Nesse contexto, a atualização da NR-1 trouxe um avanço importante ao exigir que as organizações considerem os riscos psicossociais em suas práticas de gestão.
Mas existe uma reflexão necessária. A norma representa um passo importante, porém não pode se tornar apenas mais um item de auditoria ou uma obrigação burocrática a ser cumprida. O risco é transformar um tema humano em um processo documental. Empresas não adoecem porque não possuem formulários suficientes. Elas adoecem quando convivem com lideranças despreparadas para dialogar, ambientes onde o medo silencia pessoas, excesso de pressão, ausência de clareza e relações desgastadas. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que fatores relacionados ao ambiente organizacional e às relações interpessoais estão entre as principais causas dos riscos psicossociais.
A verdadeira oportunidade criada pela NR-1 não está na conformidade. Está na transformação. Está em desenvolver lideranças mais conscientes, fortalecer a comunicação, construir segurança psicológica e criar espaços onde as pessoas possam se expressar sem medo. Se a norma ficar restrita ao papel, perderemos uma oportunidade histórica. Mas se ela provocar mudanças reais na forma como as organizações se relacionam com suas pessoas, talvez este seja um dos movimentos mais importantes para o futuro do trabalho no Brasil.
Créditos
Coluna: Fabi Vieira | Editoria Gente & Gestão | Fontes: Ministério da Previdência Social, Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Gente e Gestão
Fundadora do Instituto Fala Comigo, especialista em Comunicação Estratégica e criadora do conceito Maturidade Comunicacional™. Reconhecida como uma das principais influenciadoras de Gestão de Pessoas e RH da América Latinae atual diretora de Comunicação da ABRH-Vale do Paraíba
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