O paraíso cultural de Punta Cana
Passeios mantém o charme a qualquer hora do dia


Passeios mantém o charme a qualquer hora do dia
Divulgação/Estadão
Era uma manhã agradável e gelada de domingo quando batemos na portinhola azul da Casapueblo (carlospaezvilaro.com), a antiga residência do artista uruguaio Carlos Páez Vilaró, morto em 2014, aos 90 anos. Assim que cheguei ao local – hoje, um museu e hotel -, tive a sensação que visitava um velho conhecido.
Lá estava o gato de Vilaró, que ainda circula por lá, sobre uma pilastra, com seus olhos azuis fixos em nós. E muitas de suas esculturas. Ir de manhã à Casapueblo não é o mais indicado, já que assistir ao pôr do sol de um de seus terraços é uma das experiências mais agradáveis de Punta. Na hora que o astro desce ao mar, há sempre a leitura de um texto que celebra a renovação da vida. Mas, se você não pegar dias de sol no inverno ou estiver com pressa, saiba que o passeio mantém o charme a qualquer hora do dia.
Primeiro porque a vista do Atlântico infindável nunca decepciona Mas também porque as obras multicoloridas e alegres do antigo dono do local remetem ao cotidiano da cultura afrouruguaia. Some a isso a incomparável arquitetura de uma casa toda branca e cheia de curvas, que demorou mais de 40 anos para ficar pronta e foi construída sobre as falésias rochosas de Punta Ballena.
Cada área homenageia uma personalidade diferente, resultado das grandes amizades feitas por Vilaró. Passe pela Callecita de Pelé (Beco do Pelé), pelo Rincón de Eduardo Galeano (Canto de Eduardo Galeano) e corra para se aquecer na sala Pablo Picasso. No caminho, a Taberna del Rio Verde convida a um café com alfajor (50 pesos; R$ 5,66).
As obras de Vilaró, que vão de esculturas a grandes murais, estão espalhadas por todo o museu. Se quiser levar uma recordação, a lojinha tem itens interessantes – caneca de chá, US$ 20; quadro pequeno, US$ 15. Abre todos os dias ( no inverno, entre 10 e 17 horas), com ingressos a 200 pesos (R$ 22,64).
Arte no parque
Mesmo no frio, vale dedicar algumas horas à Fundação Pablo Atchugarry (fundacionpabloatchugarry.org), inaugurada em 2007. A meia hora do centro de Punta, o parque de 15 hectares abriga esculturas do artista uruguaio e conta com exposições temporárias de nomes internacionais, além de uma área verde que recebe eventos de artes plásticas, música e dança.
Se no verão o local recebe cerca de mil pessoas por dia, no inverno o movimento é bem menor, o que facilita a visitação e a observação das obras (abre das 10 às 18 horas, de terça-feira a domingo). A entrada é gratuita. Chegar de carro pela Rota 104 é fácil e prazeroso, difícil mesmo é imaginar que 99% das árvores que cercam a estrada foram plantadas pelo homem.
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