O que aconteceu com o Dólar?

Desde o início do ano, as previsões foram no sentido de valorização da moeda norte-americana. Passado aproximadamente quatro meses, este movimento não só não ocorreu, mas também se inverteu, ou seja, observou-se a desvalorização do Dólar frente ao Real. Tal movimento pode ser observado abaixo.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Desde o início do ano, as previsões foram no sentido de valorização da moeda norte-americana. Passado aproximadamente quatro meses, este movimento não só não ocorreu, mas também se inverteu, ou seja, observou-se a desvalorização do Dólar frente ao Real. Tal movimento pode ser observado abaixo.

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Cotação do Real por Dólar

Fonte: Banco Central

Alguns eventos podem explicar este fato. Os dois primeiros têm características mais duradouras enquanto os outros dois eventos são pontuais.

O ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central, em que se elevaram as taxas de juros no Brasil, ainda gera ganhos de arbitragem entre as praças de câmbios no mundo. Com isso, busca-se ganhar com a diferença de juros reais entre dois países diferentes. Gera-se, dessa forma, um mercado atrativo para fluxos de capitais, visando obter rendimentos por meio das altas taxas de juros no Brasil. Ocasiona-se, desta forma, o ingresso de divisas no país, que por sua vez aumenta a oferta (da mesma) e derruba a cotação.

A presidente do Federal Reserve (Banco Central Americano) aponta para atitude mais moderada, no que tange a redução de compra de dólares. Isso dá mais tempo aos Bancos Centrais ao redor do mundo para montarem suas estratégias de enfrentamento durante o período de redução de dólares no mercado mundial. Além disso, a modulação dos ajustes de juros nos Estados Unidos, que respeita o comportamento do mercado de trabalho, parece que irá ocorre de forma mais gradual. Tem-se, portanto duas varáveis do front americano, que amenizam a pressão sobre a cotação do dólar.

Quanto aos fatores pontuais, a fuga de capitais de países emergentes sujeitos a problemas políticos foi aventada como outro possível fator. Detentores de capitais na Ucrânia e em países adjacentes, por exemplo, temendo um descontrole da situação política, procuraram outras praças para alocar o capital.

Além disso, um segundo fator pontual foram as operações de câmbio derivadas da venda da safra agrícola do Brasil. O fechamento da venda de produtos para países estrangeiros mexem com o volume de entrada de divisas no mercado nacional, alternando as expectativas dos agentes econômicos acerca da cotação da moeda.

Portanto, aguarda-se ainda o ajuste no preço do Dólar, pois o mercado tem a visão de que acabando o efeito dos eventos pontuais que amenizaram a cotação, e permanecendo os eventos mais duradouros, estes não seriam suficientes para segurar a cotação. Todavia isto também depende, em grande medida, de como o BC e o Governo Federal, enfrentará esta situação.

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