Osesp encanta plateia em noite chuvosa em Taubaté

O concerto da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) realizado neste domingo na avenida Walter Thaumaturgo, em Taubaté, teve um convidado indesejado. A chuva era a preocupação do maestro Roberto Tibiriçá momentos antes da apresentação. “Você acha que vai vir gente? Bom, mas não importa, se vierem cinco pessoas, nós vamos tocar”, afirmou o regente.

Escrito por: Renan Simão3 min de leitura
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Público presente espera, abaixo de chuva, concerto da Osesp, em Taubaté

Renan Simão

O concerto da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) realizado neste domingo (16) na avenida Walter Thaumaturgo, em Taubaté, teve uma convidada indesejada. A chuva era a preocupação do maestro Roberto Tibiriçá momentos antes da apresentação. “Você acha que vai vir gente? Bom, mas não importa, se vierem cinco pessoas, nós vamos tocar”, afirmou o regente.

Mas eles vieram. Segundo a prefeitura, cerca de 1.500 pessoas compareceram ao concerto empunhando os quase que obrigatórios guarda-chuvas. Eram muitos os tipos: os tradicionais, as sombrinhas e até um guarda-sol de praia protegia uma família com pai, mãe e filho. A dona de casa Artimira Aparecida da Silva, 53, esperava o início das músicas apoiada na grade bem ao centro do palco. “Nunca escutei música clássica, mas tenho todos os discos do André Rieu”, disse rindo.

O programa, que durou cerca de 1h30, iniciou com a famosa sinfonia nº 5 em Dó Menor, Op. 67: 1º e 4º Movimentos, de Ludwig van Beethoven. Aquele tema -facilmente reconhecido pelo “tãntãntãn”- impressionava o público.

A escolha do programa foi direcionada para um público não-iniciado em música clássica, segundo Tibiriçá. “Nós temos que dar o que o povo gosta, mas também temos que oferecer algo novo. É como dar um remédio amargo para criança: você dá, mas sempre tem um doce do lado”, explica Tibiriçá.

Nesse caso, o tema “Ruslan e Ludmila: Abertura”, de Mikhail Glinka foi o remédio amargo, seguido pelo “doce” de “Romeu e Julieta: Abertura-fantasia”, de Pyotr I. Tchaikovsky. Nos dois telões montados, o público via closes em violinos, flautas e uma harpa que, quando solava, fazia alguns sorrirem.

O balé dos guarda-chuvas continuava. Pretos-básicos, quadriculados, de florzinhas, eles giravam e balançavam um mínimo para se tornarem parte do espetáculo. Nas pausas entre um tema e outro era possível ver uma senhora limpando as cadeiras de plástico -antes, ao relento- com papel higiênico para se sentar. Uns, pouco precavidos, protegiam-se da garoa com camisetas ou folhetos na cabeça.

Ensaiando passos comedidos, Ariene Lima, 27, dona de casa, dançava com seu filho Nícolas, de um ano, debaixo de um guarda-chuva rosa. “Ele adora, desde pequeno escuta música instrumental. Dá para ver que ele reage bem”, conta.

Dois espectadores em especial se encantaram pela primeira vez com a Osesp. Os bombeiros José Carlos e Beatriz Batista -sem guarda-chuvas- ouviram pela primeira vez um concerto, mesmo que a trabalho. José Carlos gostou “de tudo” e afirmou que só via “essas coisas pela televisão”. Beatriz disse que percebeu como “eles vão do baixinho e pro muito alto”.

“Não é preciso conhecer música clássica para gostar de música clássica. Ela entra dentro de você, pode te fazer sorrir ou chorar”, diz o maestro Tibiriçá.

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