Papa na Terra Santa: chamados a propagar sementes de unidade

O ecumenismo é o conjunto de iniciativas que favorecem o regresso à unidade dos cristãos que são membros do Corpo de Cristo. Para o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, “é muito mais que a reunião de Igrejas, e bem mais que um mero ideal, o ecumenismo é a concretização da prática cristã alicerçada no amor, aquele sentimento que ‘nunca falha’ (1 Cor. 13:8)”.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Patriarca de Constantinopla foi o primeiro a participar da missa de um Pontificado

Divulgação

O ecumenismo é o conjunto de iniciativas que favorecem o regresso à unidade dos cristãos que são membros do Corpo de Cristo. Para o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, “é muito mais que a reunião de Igrejas, e bem mais que um mero ideal, o ecumenismo é a concretização da prática cristã alicerçada no amor, aquele sentimento que ‘nunca falha’ (1 Cor. 13:8)”.

O lema da peregrinação que Papa Francisco fará à Terra Santa em maio é “Para que sejam um”, em referência ao Evangelho segundo João: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21). A escolha do lema renova o desejo de unidade religiosa marcado historicamente pelo encontro entre Papa Paulo VI e o Patriarca Atenágoras, pioneiros no diálogo católico-ortodoxo, ocorrido há 50 anos.

“A visita do Santo Padre à Terra Santa deve ser vista com olhar de esperança e entusiasmo. Cada vez que um papa volta à Terra Santa, contempla-se Pedro que volta às suas origens, e renova-se o chamado de Jesus para proclamar o evangelho a todos os povos. A ida de Francisco à Terra Santa é a resposta de Pedro ao inegável chamado do Mestre de propagar sementes de unidade”. A avaliação é do bispo da Diocese de Jundiaí, Dom Vicente Costa. Em meados de março, a diocese sediou um encontro ecumênico que contou com palestrantes canadenses membros da Comunidade Alleluia (Georgia, EUA), um deles católico e outro protestante.

Papa Francisco estará no cenário de conflitos intermináveis entre hebreus e muçulmanos. Uma das atividades inclui um encontro com o Patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, durante oração conjunta organizada com os chefes de todas as igrejas de Jerusalém, no Santo Sepulcro. A ocasião deve pontuar ainda mais os esforços pontifícios para fortalecer o diálogo ecumênico no mundo, principalmente após o Concílio Vaticano II.

“Este esforço ecumênico é muito presente nos séculos 20 e 21, com os Papas: João XXIII, Paulo VI; João Paulo II, Bento XVI, e têm sido a postura assumida, com muito carisma, por Papa Francisco”, explica o bispo.

Dirigindo-se ao Conselho Ecumênico das Igrejas no último dia 7 de março, o Santo Padre fez um alerta: “Se os cristãos ignorarem o chamamento à unidade, que lhes é dirigido pelo Senhor, correrão o risco de ignorar o próprio Senhor e a salvação por Ele mesmo oferecida através do seu Corpo, que é a Igreja: «Em nenhum outro há salvação, porque… nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos» (At 4, 12)”.  [Clique aqui para ler a mensagem na íntegra]

Todos podemos abraçar o desafio do ecumenismo participando da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, considerada a maior iniciativa ecumênica anual. No Brasil, a edição de 2014 será realizada de 1º a 8 de junho com base no tema “Acaso Cristo está dividido?” (1 Cor 1, 1-17). A proposta foi elaborada por cristãos do Canadá, país marcado pela diversidade de idiomas, cultura, clima e diversas expressões de fé.

Em entrevista ao A12, Dom Vicente deixou uma última reflexão: “Estes Encontros Ecumênicos representam uma fé em processo de amadurecimento, é sinal de conversão. O segmento de Jesus Cristo exige a unidade, e sem o esforço pela unidade, a experiência com Jesus Cristo seria manca. Estes encontros vêm como resposta ao esforço de grupos cristãos, católicos e protestantes, de concretizar a oração sacerdotal de Jesus: ‘Para que todos sejam um’”.

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