Para Rashid, alunos que ocuparam escolas estarão nos livros de história
Rapper se apresenta em São José dos Campos neste sábado


Músico conta com influências do jazz em nova composição, A Cena
Divulgação
O rapper Rashid, um dos principais nomes do cenário do rap nacional, toca neste sábado no Urbanus Bar, em São José dos Campos. Dono de uma rima certeira, apontada para as questões sociais como o racismo e a concentração de renda, o músico viu com bons olhos os recentes protestos dos estudantes contra o projeto de reorganização proposto pela gestão do governador Geraldo Alckmin.
Rashid é vizinho de uma das mais de 150 escolas ocupadas no mês passado e chegou a participar como voluntário em conversas sobre a importância da cultura para a formação de cidadãos mais conscientes e discussões sobre a escola pública ideal. O artista foi um entre tantos outros (Paulo Miklos, Pitty, Chico Cesar e Céu foram alguns deles) que apoiaram a causa dos alunos.
“Eles deram um banho no nosso pessimismo, mostraram que é possível se mobilizar pela educação, envolvera a comunidade na causa e conseguiram vencer uma queda de braço com o governo. Sem exagero, daqui a 20, 30 anos isso tem que estar nos livros de história. Pode ser o início de um pacto pela educação de qualidade. A molecada não tem nem ideia da dimensão do que eles conseguiram fazer”, explica o rapper.
Para Rashid, que constantemente faz menção a importância de uma educação pública de qualidade em seus versos, acredita que durante as ocupações, os alunos tiveram acesso a experiências que a escola nunca havia proporcionado.
“O bom desse episódio todo é que você levou artista, escritor, antropólogo, chef de cozinha. Uma mistura muito rica em prol da educação. Nunca se viu isso. Os estudantes tiveram acesso a uma virada com artistas só para a ocupação. As coisas serão bem diferentes a partir de agora, tenho muita fé nessa transformação”, explica.
Novidades
O rapper lançou, há pouco mais de duas semanas, o clipe de sua nova música de trabalho, A Cena, que conta com participação da cantora Izzy Gordon, uma das boas vozes do jazz nacional. A letra conta a história de um “enquadro” sofrido pelo rapper e outros amigos há cerca de 10 anos.
“É impressionante como a história se repete até hoje da mesmíssima força. O jovem negro de periferia sofre muito com a repressão da PM. No vídeo a gente quis ir além de contar a história que a música traz. Mostramos como várias pessoas também são ‘enquadradas’ todos os dias em seus empregos, sofrendo racismo ou boicotadas pelos próprios pais. O resultado é um vídeo bem forte, com um apelo para denunciar mazelas sociais que o Brasil faz questão de sempre colocar para debaixo do tapete”, diz.
Se o investimento em produções audiovisuais é uma tendência no rap nacional (vide clipes do Emicida e Criolo), a música também traz uma outra característica adotada pelos artistas do gênero: a diversificação nos ritmos. A música é construída em cima de uma base jazzística de piano. Coisa clássica, que confere um tom de sofisticação ao rap de Rashid.
“Essa coisa de misturar é muito rico para a música. Eu ouço muito jazz e acho que é um gênero super parecido com o hip hop, por ter nascido no gueto, ser essencialmente autodidata e ter essa alma negra que a gente também encontra nas rimas do rap. Eu escuto muita coisa e acho que pro MC, quanto maior a bagagem melhor. Melhora o vocabulário, as possibilidades de fazer música. Não dá pra ficar se prendendo em rótulos”, conclui.
Rashid
Data: sábado (19)
Endereço: Urbanus Bar – Av. Benedito Matarazzo, 7100 – São José dos Campos
Horário: 23h
Ingressos: R$20
Classificação: 18 anos
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