Paulistano preserva memória do museu de Roberto Lee em Caçapava

Comerciante de São José guarda fotografias do local na década 70

Escrito por: Thiago Fadini3 min de leitura
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Um comerciante de São José dos Campos guarda em sua casa registros fotográficos históricos em slides (chapas de máquinas antigas) do Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas criado pelo falecido engenheiro e colecionador Roberto Eduardo Lee.

Walter Baccelli, 63, é natural de São Paulo e apaixonado por carros antigos. Na volta de uma viagem ao Rio de Janeiro em 1973, a bordo de um Thunderbird 1956, ele e um amigo resolveram parar em Caçapava para conhecer o famoso espaço de que ouviram falar anos antes. O local deixou os dois impressionados.

“Chegamos lá e vimos tudo muito arrumado, com pessoas na portaria, até cobravam uma pequena entrada. Ficamos maravilhados, ainda mais sendo Paulistanos. Sabíamos desse museu, mas nunca pensamos em visitá-lo. Aí peguei minha maquina uma alemã de 35 m/m analógica da época, uma Varex IIB e iniciei a sessão de fotos”, contou Walter.

Ao todo, o comerciante tirou 30 fotos, mas com o tempo só lhe restaram 15, guardadas com todo o apreço em seu apartamento junto a um projetor que auxilia na visualização das fotografias na parede. Nos registros é possível ver a estrutura do museu no bairro Vila Paraíso completamente novo e os carros enfileirados para exposição. Entre os modelos, raridades como um Cadillacs, Buicks e um Tucker da Willys.

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Área do museu fundado por Lee está à espera de reformas

Secretaria de Cultura de Caçapava/Reprodução Facebook

“Havia várias antiguidades mecânicas. O único exemplar do Tucker, raríssimo, o Capeta, feito pela Willys, uma miniatura a motor da Bugatti, e várias outras preciosidades , além de um galpão fechado ao lado com uma quantidade enorme de outros (carros) aguardando recuperação”, relatou.

O Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas foi inaugurado no ano de 1963 em São Paulo. Em 1964, Roberto Lee trouxe a coleção de mais de 40 carros para Caçapava. Ele faleceu em 1975, vítima de um assassinato. Desde então, o espaço continuou a funcionar na antiga propriedade da família Matarazzo até ser fechado e abandonado em 1992.

O descaso com o museu entristece Walter Baccelli, que reside em São José há 33 anos. O comerciante se decepcionou ao retornar ao antigo museu, que hoje aguarda reformas vindas da prefeitura. Ele também criticou a falta de interesse da população da região em preservar a história automobilística nacional.

“Há uns dez anos atrás voltei lá para rever, pois não se falou mais nada sobre esse museu. Foi uma pancada, estava fechado. Que lástima. Aquilo tudo que vi e fotografei estava em ruínas. O povo daqui não conserva a história. Carro antigo aqui é piada. Em São Paulo as pessoas se interessam. Será muito difícil o museu recolocar esses carros em forma como antigamente, já se passaram muitos anos e essas peças devem ser raríssimas, mas está valendo”, concluiu.

História

Roberto Eduardo Lee foi um engenheiro de uma tradicional família da capital paulista e era herdeiro de um império industrial formado por fusões de empresas. Foi casado com Maria Pia Matarazzo e posteriormente com Yara Siqueira. Ele foi assassinado com dois tiros de revólver em 1975 disparados por Elza Leoneti do Amaral, amante durante seu segundo casamento. Deixou duas filhas, uma com Maria Pia e outra com Elza.

Situação atual

O antigo Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas “Roberto Lee” está atualmente sob responsabilidade a Prefeitura de Caçapava, que procura empresas interessadas em recuperar a área de aproximadamente 20.000m². O acervo de 40 veículos foi removido para o Centro Cultural José Francisco Natali e também espera por recuperação.

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