Pelas curvas cacheadas do pixaim, um brado pelo empoderamento
Chapinha nunca mais! Fotógrafa assumiu os cachos há três anos Gabriela Oliveira/Divulgação Quantas histórias enveredam-se pelas curvas crespas dos cabelos que, desobedientes, rechaçam a imposição do alisamento? Nas entrelinhas dos retratos da exposição fotográfica “Crespura”, que acontece neste sábado (24) em Taubaté, os espectadores mais atentos poderão enxergar a carga da ancestralidade presente em cada […]


Chapinha nunca mais! Fotógrafa assumiu os cachos há três anos
Gabriela Oliveira/Divulgação
Quantas histórias enveredam-se pelas curvas crespas dos cabelos que, desobedientes, rechaçam a imposição do alisamento? Nas entrelinhas dos retratos da exposição fotográfica “Crespura”, que acontece neste sábado (24) em Taubaté, os espectadores mais atentos poderão enxergar a carga da ancestralidade presente em cada um dos modelos que exibiram as madeixas encaracoladas à jovem fotógrafa Gabriela Oliveira.
A mostra reúne retratos de mais de 20 pessoas que, em comum, ostentam a crespura dos cabelos. Ao todo são 24 fotografias na exposição que encerra a Semana do Departamento de Ciências Sociais e Letras da Unitau (Universidade de Taubaté), que acontece na própria universidade.
Fotógrafa e aspirante à jornalista (Gabriela se forma ainda este ano), a estudante decidiu reunir modelos de cabelo encaracolado após ser desafiada a compor uma exposição para o fechamento da semana comemorativa da universidade.

Fotos trazem 20 modelos com cachos
Gabriela Oliveira/Divulgação
“Ai rolou a ‘bad’: ‘aceito, mas vou expor o que?’, eu não queria levar fotos aleatórias de vários temas, coisas diferentes, então fiquei quebrando a cabeça para definir um tema. Quando uma super amiga minha, que também é modelo na exposição, disse que iria cortar o cabelo todo para que ele cresça de novo crespo, tive um estalo. Aquela atitude corajosa foi tão marcante pra mim que decidi que os cachos seriam o tema da mostra”, afirma.
Assim como todos os modelos que Gabriela fotografou, a própria fotógrafa também teve de tomar atitude para assumir de vez a beleza dos cachos que hoje exibe com orgulho. De seus 21 anos, 7 deles foram passados à chapinha.
“Eu não saia se fosse chover, eu odiava ir a eventos que me fizessem suar porque estragava minha chapinha. Eu não entrava no mar, na piscina. A minha vida girava em torno da neurose de ter o cabelo liso impecável. Porém, eu amava tudo que era cabelo cacheado. Fiquei maquinando aquilo dentro da minha cabeça : ‘se eu amo todos os outros cabelos, por que não o meu?’e ai decidi: nos meus cabelos, a chapinha nunca mais! Tem 3 anos, e hoje ele é tão crespo quanto era antes dos procedimentos para alisá-lo. Eu digo sempre, a melhor coisa que eu fiz na minha vida foi deixar de alisar, hoje eu sei quem sou, sei que não preciso do padrão estético liso e nem os olhares de reprovação me atingem mais”, comenta.
Sem vergonha
O processo de realização dos retratos que compõem a mostra passou por uma boa dose de descontração para conseguir que fosse extraído o melhor de cada modelo em sua espontaneidade.
“É muito gratificante ver a evolução das fotos durante o ensaio: elas começavam tímidas, a maioria não queria fazer as fotos, e depois, se libertaram de uma forma maravilhosa, elas sentiam aquilo, se viam bonitas, representando suas raízes, sua naturalidade. Ninguém viu todas as 24 fotos da exposição, estão todas ansiosas. Das mais de 20 pessoas que fotografei, só uma disse não ter sofrido por ter o cabelo crespo”.
A mostra é gratuita e segue das 9h às 18h no Departamento de Ciências Sociais e Letras da Unitau. Mais informações podem ser obtidas no evento da atividade no Facebook.
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