Pequenos milagres

Acho pouco, muito pouco, essa “geração Steve Jobbs”, cheia de pessoas inteligentes, criativas, mas incapazes de usar esse potencial para algo que não seja elas mesmas. Um mundo bobo e quase sempre mentiroso. Só conheci a verdade dentro de um hospital psiquiátrico, ao lado de pessoas “loucas”. Convivi com a pureza da loucura e descobri […]

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
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Acho pouco, muito pouco, essa “geração Steve Jobbs”, cheia de pessoas inteligentes, criativas, mas incapazes de usar esse potencial para algo que não seja elas mesmas. Um mundo bobo e quase sempre mentiroso. Só conheci a verdade dentro de um hospital psiquiátrico, ao lado de pessoas “loucas”. Convivi com a pureza da loucura e descobri que as pessoas “normais” apenas fingiam felicidade ao meu redor, o tempo todo.

Mergulhei numa fase mística pra anestesiar a dor. Essa atitude que tomei, transformou minha vida. Mas continuo um estrangeiro, incapaz de se adaptar às coisas. Aos 35 anos de idade, algo explodiu dentro do meu corpo, até eu cair de cama e ser internado. Pensei em largar tudo, morrer jovem, mas veio a grande revelação da vida: sou apenas um ressentido chorando por um mundo que não foi criado do meu jeito, não foi criado para mim.

Pra fugir do ressentimento, fui trabalhar na fazenda de uma tia, em Minas Gerais. Lá aconteceram pequenos milagres. Minha cura, ou minha paz, começou ali, cavalgando pelas lavouras, no silêncio da mata, por horas, cortando lenha para poder cozinhar, botando a mão na terra, alimentando os bichos, esperando pacientemente o timing da natureza, deixando tudo passar dentro de mim.

A natureza tem um tempo que abandonamos.

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