‘Picasso e o Roubo da Mona Lisa’ mescla imaginação e fatos reais
O filme se diz uma ficção baseada em fatos reais. Picasso e o Roubo da Mona Lisa, do espanhol Fernando Colomo, põe em cena figuras reais como Pablo Picasso e Guillaume Apollinaire, entre outros, na Paris de 1911, quando vários furtos no Louvre abalam os alicerces da República Francesa. Deveria acrescentar – é uma farsa cômica, que usa a graça…

O filme se diz uma ficção baseada em fatos reais. Picasso e o Roubo da Mona Lisa, do espanhol Fernando Colomo, põe em cena figuras reais como Pablo Picasso e Guillaume Apollinaire, entre outros, na Paris de 1911, quando vários furtos no Louvre abalam os alicerces da República Francesa.
Deveria acrescentar – é uma farsa cômica, que usa a graça e personagens reais para fazer algumas reflexões a respeito da arte. Em especial acerca da grande arte do século 20, que, com o surgimento do cubismo, iria perturbar corações e mentes mais acomodados. Entre os quais um já consagrado Matisse, que não consegue entender as figuras traçadas pelo então desconhecido pintor espanhol. Picasso esboçava Les Demoiselles d’Avignon, o retrato de prostitutas que colocaria a arte pictórica de cabeça para baixo.
Diluída entre gagues e piadas, corre uma sutil discussão a respeito da obrigatoriedade de a pintura representar o real, camisa de força da qual a arte moderna se livraria. “Não importa o tema”, sustenta o jovem Picasso, “mas a forma”.
Quem interpreta Picasso é Ignacio Mateos e seu grupo de amigos é composto pelo poeta Apollinaire (Pierre Benezit), o pintor Georges Braque (Stanley Weber), o escultor Manolo Hugué (Jordi Vilches) e o escritor Max Jacob (Lionel Abelanski). Há também as mulheres, Fernande (Raphaëlle Agogué), musa de Picasso, e Marie Lauvencin (Louise Monot), além das norte-americanas Gertrude Stein (Cristina Toma) e sua companheira Alice Toklas (Eszter Tompa), ambas em sintonia perfeita com a Paris dos anos loucos.
Essa Paris das primeiras décadas do século 20 era mesmo o centro do mundo, o melhor lugar da Terra. O filme acerta ao retratar o clima febril dos salões, os cafés onde se debatiam política e as novas tendências estéticas, as vernissages nas quais se afrontavam conservadores e rebeldes. Poderíamos pedir um pouco mais de profundidade, sobretudo em se tratando de década tão decisiva. Mas fica clara a intenção de Colomo de fazer apenas um divertimento inteligente. Nesses limites, o filme é puro prazer.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
