Polêmica sobre Esplanada e música ao vivo em bares dominam debate sobre a Lei de Zoneamento em S. José
Reunião pública aconteceu nesta segunda-feira na Câmara Municipal


Reunião contou com a participação de 300 pessoas
Jefferson Santos/Meon
A reunião pública sobre a lei de zoneamento reacendeu o debate sobre a liberação ou não de comércios no bairro Esplanada, região central de São José dos Campos, e a regulamentação de música ao vivo em bares da cidade. O encontro teve a participação de 300 pessoas e ocorreu na noite de segunda-feira (22), na Câmara Municipal, e faz parte da programação para a revisão da legislação vigente.
A Lei de Zoneamento define critérios para o parcelamento, uso e ocupação do solo de todo o município e o seu objetivo é dividir a cidade por áreas específicas como industrial, residencial, rural, comercial e de serviços, zonas especiais, verticalização e áreas de proteção ambiental.
Ao todo, 109 pessoas sugeriram mudanças e entre os questionamentos, donos de bares e músicos predominaram com o pedido de regulamentação de música ao vivo nesses estabelecimentos. Segundo Charlie Sanches, membro da comissão de músicos e proprietários de bares, a lei de ruídos e a dificuldade em obter alvará para a execução da atividade tem prejudicado os profissionais. De acordo com Sanches, o mesmo pedido que é feita para casas de show de grande porte é exigido para os bares.
“Nenhum bar consegue tirar o alvará para ter música ao vivo porque a Prefeitura exige muita documentação. Tem casos de pessoas que estão tentando há quatro anos e não conseguem. Os donos de bares pequenos, por exemplo, não conseguem fazer o mesmo investimento que grandes casas de show. Mesmo os proprietários tentando cumprir a legislação, eles não conseguem. Além disso, de um ano para cá a Prefeitura tem pegado pesadíssimo com fiscalização e autuação dos bares”, relatou.
Outra reivindicação, que perdura há bastante tempo no município, é a liberação ou não de comércio de baixo impacto no bairro Esplanada. Na reunião pública desta segunda-feira existiam dois grupos, um a favor e outro contrário à mudança.
Para Andrea Luswarghi, jornalista e residente do bairro, a maioria dos moradores quer o Esplanada residencial, sem prédios e sem comércios. Porém, segundo ela, há pontos como o da rua Laurent Martins em que a pessoa não consegue entrar em casa por causa do tráfego intenso e no caso dessa rua permitir o comércio não vai resolver o problema.
“Na minha opinião falta diálogo democrático entre todos os envolvidos. Já existe um ponto de acordo entre todos: ninguém quer prédios no Esplanada. Quanto ao comércio, minha opinião é que um acordo é viável se partirmos de um Código de Ética de Vizinhança, com 3 pontos básicos: não é permitido gerar incômodo com ruídos, odores e todos devem prover estacionamento para seus visitantes. Acredito que por aí podemos juntos resolver todas as divergências”, pontuou.
Apesar de defender a zona mista em todo o município, onde as pessoas morem perto de onde trabalham e evitem deslocamentos extensos, a Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba) também é a favor desse acordo democrático. “A Aconvap defende que os dois grupos cheguem a um acordo, porque a lei de zoneamento é um conjunto de fatores que contribuí para toda a cidade. A gente entende que a verticalização no Esplanada não é viável nesse momento”, afirmou Maria Rita Singulano, diretora da entidade.
As sugestões ainda podem ser feitas por meio de formulário online no site da Câmara até 25 de abril. A expectativa é que o projeto da nova lei de zoneamento seja protocolado na câmara em julho e seja votado ainda este ano.
O que diz a Prefeitura
Por meio de nota, a Secretaria de Urbanismo e Sustentabilidade afirma entender que este deve ser o espírito de transparência e debate público na construção coletiva de uma política de uso e ocupação do solo. Os cidadãos apresentam argumentos legítimos que serão analisados pela equipe da Prefeitura e colegiados representativos da sociedade civil, que já estão atuando na discussão do zoneamento.
Posts Relacionados

Via Dutra terá obras de recuperação do pavimento até 22 de outubro

Prazo de inscrições para o Vestibular Unesp 2027 chega aos últimos dias

Jovem de 16 anos que estava desaparecido é achado morto a tiros no Litoral e Vale
