Polícia indicia Milton Leite e mais 12 por suspeita de ligação com o PCC no transporte de SP e pede prisão preventiva
Relatório final da Operação Vectura Corrupta foi enviado à Justiça; ex-presidente da Câmara de São Paulo está preso desde setembro e nega as acusações

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-vereador Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, e outras 12 pessoas sob suspeita de organização criminosa e de promover os interesses do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte público da capital. A corporação também pediu à Justiça a prisão preventiva dos 13 investigados. Milton Leite nega qualquer vínculo com a facção.
O relatório final da Operação Vectura Corrupta, com 104 páginas, foi encaminhado à Justiça nesta sexta-feira (6). Entre os indiciados, segundo as informações divulgadas sobre o documento, estão o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e empresários do setor de ônibus.
O que diz a investigação
De acordo com a Polícia Civil, o PCC teria usado empresas de transporte coletivo, representantes formais e negociações com agentes públicos para movimentar dinheiro e ganhar influência sobre serviços municipais. Os investigadores trabalham com a hipótese de que 12 das 22 empresas de ônibus analisadas estariam sob controle ou influência da facção. A suspeita ainda depende de comprovação na Justiça e não significa que todas as empresas citadas tenham sido acusadas formalmente.
O relatório também sustenta, segundo a imprensa que teve acesso ao documento, que Milton Leite teria ocultado ou destruído provas e mantido contatos externos enquanto estava detido. Os investigadores atribuem a ele possível participação na operação de empresas que estariam sob influência do PCC e afirmam que ele seria o verdadeiro dono da Transwolff, que operava linhas na zona sul da capital. O ex-vereador rejeita essa afirmação.
Levi dos Santos Oliveira presidiu a SPTrans em períodos das gestões Bruno Covas e Ricardo Nunes. A polícia suspeita que ele tenha se encontrado com pessoas apontadas como intermediárias da facção para tratar de interesses de empresas de ônibus.
Preso desde setembro
Milton Leite está preso desde 18 de setembro, quando se apresentou à Polícia Civil depois da expedição de um mandado de prisão temporária, na fase ostensiva da operação. Ele presidiu a Câmara paulistana por seis anos e era um dos políticos mais influentes da cidade.
O pedido de prisão preventiva, que não tem prazo fixo, ainda será analisado pela Justiça. As defesas dos investigados negam irregularidades. O indiciamento é uma etapa da investigação policial e não equivale a condenação: cabe ao Ministério Público decidir se apresenta denúncia.
Com informações da CNN Brasil e do Diário do Transporte.
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