Por que algumas pessoas morrem de Covid-19 mesmo após receberem as duas doses da vacina?
O Portal Meon conversou com o sanitarista e professor da USP, Gonzalo Vecina Neto, que explicou o fato de nenhuma vacina ser 100% eficaz até o momento

A morte do ator Tarcísio Meira, de 85 anos, na tarde desta quinta-feira (12) surpreendeu e intrigou muitas pessoas.
O motivo: o artista já havia sido vacinado com as duas doses necessárias para a imunização completa contra a Covid-19.
Foi então que um debate muito feito nas redes sociais retomou ao lugar de protagonismo nas discussões que envolvem as formas e eficácias da aplicação das vacinas contra o coronavírus: por que algumas pessoas vão a óbito mesmo após receberem as duas doses da vacina?

O Portal Meon conversou com o sanitarista e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) e da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Gonzalo Vecina Neto, que explicou o fato de nenhuma vacina ser totalmente eficaz contra o vírus até o presente momento. Ele afirmou que, para isso, é necessária a vacinação de toda a população.
“A causa (pelo qual pessoas vacinadas morrem) é que nenhuma vacina tem 100% de eficácia. Enquanto todos não estiverem totalmente imunizados, o vírus continuará a circular e a oferecer risco para a sociedade, inclusive aos vacinados. A vacinação é importante, principalmente, para impedir a circulação viral”, afirmou o professor.
Em relação ao fato de algumas pessoas duvidarem da eficácia das vacinas, o sanitarista reiterou que a vacina ajuda muito, e poucas das 550 mil mortes ligadas ao coronavírus no Brasil são de pessoas que tenham completado o esquema vacinal.
“Do total de mortes que temos no Brasil em função do coronavírus, cerca de 9 mil são de pessoas vacinadas com duas doses. A vacina não é 100% eficaz, contudo, ela ajuda muito. A imunização é 95% eficaz em relação às mortes e 86% em relação aos casos graves, o que é comprovado por estudos feitos dentro e fora do Brasil”, explicou Gonzalo.

Por fim, ele explicou também que a vida só vai, de fato, retornar à normalidade, quando boa parte da população mundial estiver vacinada, já que mesmo com a população brasileira totalmente vacinada, o intercâmbio de viagens com países em que a vacinação ainda engatinha, podem trazer novamente o risco do vírus.
“Somente com a vacinação completa de toda a população, os eventos retornarão, e isso envolve jovens e crianças. Muitos me perguntam como será o réveillon neste ano. Eu digo que o cuidado deve permanecer, já que, caso as crianças se infectem, elas poderão ser agentes transmissoras do vírus para idosos e pessoas com comorbidades. Esse normal que estamos buscando ainda demorará um pouco para chegar”, finalizou.
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