Prefeitura de S. José realiza primeiras demolições de casas no Banhado
Ao todo, 49 famílias já deixaram o Jardim Nova Esperança, diz prefeitura


Ao todo, 49 famílias já deixaram o Jardim Nova Esperança, diz prefeitura
Thiago Fadini/Meon
A Prefeitura de São José dos Campos iniciou nesta terça-feira (27) a demolição das primeiras casas de moradores do Jardim Nova Esperança (Banhado), que aderiram ao programa habitacional do governo municipal. Ao todo, 49 famílias, das 400 cadastradas pela secretaria de Habitação já deixaram o bairro.
A mudança para as novas moradias é voluntária e começou também nesta terça-feira, com apoio da prefeitura no transporte de móveis e utensílios. Segundo a secretaria de Habitação, o governo municipal está ajudando na mudança das famílias por se tratar de uma área de interesse social.
Trinta e cinco famílias do Jardim Nova Esperança vão receber unidades habitacionais do Residencial Jaguari, região norte de São José. Os moradores assinaram um termo, no qual autorizaram a demolição das casas após a mudança. O local foi previamente vistoriado por técnicos da Defesa Civil.
Além das 35 famílias que vão para o Residencial Jaguari, outras 14 optaram por receber da prefeitura o aluguel social e já se mudaram do Jardim Nova Esperança, e também serão encaminhadas para conjuntos habitacionais.
“As pessoas estão felizes porque estão interessadas na mudança. Na nossa avaliação mais de 80% tem interesse em sair. Hoje está sendo construído mais de 5 mil unidades do Minha Casa Minha Vida e conforme forem ficando prontas vamos chamando as pessoas para apresentar o imóvel”, explica o secretário de Habitação de São José, Miguel Sampaio.
O morador Cristian Willy, 26, não quer sair do bairro. “Não quero sair daqui, o Banhado poderia ser um exemplo, um bairro modelo com moradias sustentáveis, o que está acontecendo é uma política de tirar as pessoas do centro e jogá-las nos cantos da cidade”, diz Willy, que reconhece que a maioria das famílias está aderindo ao programa.
“A maioria está gostando dessa mudança. Se você vai em uma entrevista de emprego, por exemplo, e fala que mora do Banhado, não consegue a vaga por conta do preconceito, as pessoas acham que quem mora aqui é bandido, usuário de droga e não, temos trabalhadores, professores, estudantes, etc”, conta Willy, que faz crítica ao auxílio aluguel da prefeitura.
“A prefeitura diz que o auxílio é para dois anos, mas quando dá um ano, eles cancelam e não renovam”, diz.
Para Sampaio, “as famílias terão uma melhor condição de moradia, e entenderam isso. Elas estavam em áreas sujeitas a alagamentos, com solo instável e sem saneamento. O Jardim Nova Esperança não pode receber obras de infraestrutura porque há restrições ambientais. O núcleo está em uma unidade de proteção integral”, diz o secretário.
Com relação ao período do aluguel social, Sampaio nega que não aconteça a renovação. “O período é de um ano por mais um, porque o imóvel pode ficar pronto antes, não sendo mais necessário o auxílio, e os dois anos que damos está relacionado ao tempo previsto da obra. Desconheço qualquer situação de não renovação do auxílio. É nosso interesse pra quem queira sair de lá receba o imóvel”, afirma.
Na área do Jardim Nova Esperança está prevista a instalação do Parque Natural Municipal do Banhado, com 1,5 milhão de metros quadrados.
Selagem
A Prefeitura realizou no Jardim Nova Esperança um procedimento chamado de “selagem”. Nesta ação, cada domicílio é identificado e a família inicia a negociação para ter acesso às alternativas de reassentamento oferecidas pela prefeitura.
As opções apresentadas foram de desapropriação e indenização dos imóveis documentados; indenização baseada em laudo para quem não tem documentação do imóvel; inserção em programa habitacional; compra assistida; ou auxílio aluguel.
Das 400 famílias cadastradas na selagem, 329 (82% do total) indicaram que pretendem aderir à proposta de reassentamento por meio do programa habitacional, compra assistida ou indenização.
A prefeitura criou um escritório para atender individualmente as famílias, que fica no prédio da secretaria de Transportes, na avenida Rui Barbosa, 400, na Vila Santa Helena. O escritório vai funcionar até que os casos de todas as famílias sejam analisados. As famílias também podem fazer consultas pelo telefone 3925-2079.
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