Taubaté suspende serviço de home care a paciente em coma
Vídeo da dona de casa pedindo ajuda já ultrapassa 45 mil visualizações


Josiane Queiroz pede socorro pela filha
Reprodução/Youtube
Uma mãe desesperada com o grave quadro de saúde da filha em Taubaté tem sensibilizado milhares de pessoas nas redes sociais. Sem dinheiro, Josiane Queiroz, 35, luta na Justiça pelo direito de ter o cuidado de sua filha custeado pela prefeitura.
O drama da dona de casa começou no último dia 16 de janeiro, quando a Justiça suspendeu uma liminar que obrigava o Executivo a pagar o atendimento médico domiciliar de Caroline Queiroz de Oliveira, 20. A jovem está em coma desde agosto de 2014, quando tentou tirar a própria vida por enforcamento. Ela foi resgatada e internada em São José do Campos.
“De São José, quando ela teve alta, já sabia que ela não iria mais andar, nem teria movimentos. Ela foi traqueostomizada e já estado de coma, recebeu alta, porque não tinha mais o que ser feito. Eu teria que cuidar dela em casa, então já pedi na Justiça, em setembro, o serviço de home care. Ganhei e desde então eles estavam cuidando da Carol em casa”, contou Josiane.
Os cuidados diários envolvem várias sessões de limpeza, aspirações pela traquéia, alimentação por sonda com dieta especial, manipulação de medicamentos e outros diversos cuidados. “Os médicos que atendem a Carol me disseram que a aspiração tem que ser feita por profissionais de saúde. Mas a Justiça me tirou este direito”, relatou.
Sem auxílio, Josiane teme agora que os cuidados feitos por ela possam prejudicar o tratamento da jovem. “Esta semana eu estou fazendo a aspiração, com medo de matar minha filha, pois o equipamento que tenho que usar vai até perto do pulmão, posso perfurá-lo”, relatou a mãe.
Justiça
Na primeira liminar concedida pela Vara da Fazenda de Taubaté, a Justiça entendeu que era direito de Caroline, pela falta de recursos da família e pelo quadro da paciente, o atendimento home care, o que obrigou a Prefeitura de Taubaté a custear o tratamento.
“O delicado quadro de saúde da autora recomenda o tratamento domiciliar na modalidade home care, notadamente, por conta da necessidade de serviço especializado de enfermagem de tempo integral, como ainda, cooperação de equipamento hospitalar para suporte de vida de razoável complexidade”, dizia o parecer do juíz Paulo Roberto da Silva.
Após o recurso impetrado pela prefeitura, no dia 16 de janeiro, a liminar foi suspensa diante da seguinte justificativa: “Deslocarem-se enfermeiros por 24 horas para o atendimento da autora pode onerar, em muito, o custo da saúde pública, exigindo-se contratação de mais servidores”.
A decisão ainda segue: “Se a enfermidade fosse de gravidade acentuada, certamente não haveria alta hospitalar, porquanto em Hospital da rede pública ou particular, haveria um tratamento mais amiúde”.
Desesperada com a suspensão do atendimento, a mãe explicou que o atendimento da prefeitura de Taubaté oferece apenas o serviço de fisioterapia e atendimento de médicos em casa.
Vídeo
Josiane resolveu, enquanto recorre da decisão na Justiça, gravar um vídeo. A ideia é fazer um apelo aos amigos e empresários para que a ajudem a custear o tratamento para a filha.
A gravação atingiu nesta terça-feira (27), cerca de 45 mil visualizações e mais de 2.000 compartilhamentos.
Outro lado
Procurada pelo Meon, até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de Taubaté ainda não havia se manifestado sobre o caso.
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