Prejuízos no setor empresarial podem chegar a 80% nesse período de pandemia, alerta ACI

“O efeito da quarentena tem sido perverso”, diz presidente da Associação Comercial de São José

Escrito por: Andressa Lorenzetti5 min de leitura
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Empresários e comerciantes enfrentam um momento de muitas incertezas e desafios no mundo dos negócios. Existe uma grande preocupação com os prejuízos causados nesse período de quarentena, já são mais de 2 meses de isolamento social e proibições de funcionamento para a maior parte do setor.

Quem tem a possibilidade de continuar com as atividades, mesmo lidando com as restrições determinadas pelos governantes e pelas autoridades de saúde, tem conseguido diminuir os impactos, refazendo o planejamento e criando opções de venda, com outras atrações para os clientes.

O momento é delicado, há um pedido de ajuda, diante do conflito atual entre o crescimento do número de casos de coronavírus, dos impasses políticos e a necessidade de reabertura parcial das empresas.

O Portal Meon conversou com a presidente da Associação Comercial e Industrial de São José, Elaine Maia, para entender como a entidade tem dado apoio e levado informações aos associados.  

Meon- Como a Associação Comercial tem acompanhado e apoiado os empresários neste momento de isolamento social em São José ?

A Associação Comercial e Industrial de São José dos Campos tem procurado estar ao lado dos empresários de nossa cidade neste momento crítico. Por isso, a ACI adotou diversas ações, todas reunidas na campanha “ACI & Você”, cuja meta é preservar vidas, empregos e empresas.

Assim, em uma de nossas frentes, a ACI tem realizado diversas, campanhas, resultado de pesquisas feitas para identificar as necessidades dos empresários neste momento de quarentena. Uma delas é a campanha “São José On-Line”, que dá visibilidade às empresas em nosso site, divulgando nossos associados, seus produtos, um WhatsApp de contato e voucher de desconto. Existe também a campanha dos EPIs, que cadastrou empresas que trabalham com a fabricação ou comercialização de máscaras, luvas, álcool em gel, por exemplo, em nossa cidade.

Outra frente são as lives do projeto “Debate ACI”, com foco na orientação aos empresários e desenvolvimento de novas estratégias.

Também demos apoio aos empresários por meio de uma parceria firmada com o Sindicato dos Comerciários, em defesa do emprego. Por ela, a ACI passou a receber, por e-mail, solicitações de redução e suspensão dos contratos de trabalho feitas por diversas empresas, organizou as informações e encaminhou tudo ao Sincomerciários para aprovação. Até abril, mais de 200 contratos desse tipo passaram pela ACI. Nesse ponto, foi um importante canal de orientação e de prestação de serviços aos empresários.

E outra ação foi solicitar à Prefeitura de São José dos Campos, com sucesso, a prorrogação do pagamento do ISS de fevereiro, março e abril.

Meon- Qual o percentual de queda em faturamento e prejuízo financeiro nesse período de pandemia?

A queda foi muito grande, em vários segmentos chega a quase 80%. Em relação às demissões, como ainda não foi divulgado o CAGED, não temos este número oficial.

Meon- Tem algum setor que está conseguindo manter o faturamento ou até mesmo registrou algum aumento?

Sim, esse é um fenômeno natural em todo período de crise. Inicialmente houve uma alta imediata no setor de supermercados e comercialização de produtos alimentícios, assim como no ramo de farmácias, produtos de higiene pessoal e limpeza em geral. O setor de fabricação e comercialização de máscaras de proteção, álcool em gel também passou a ter um crescimento constante de vendas. Houve uma migração ou reforço das vendas on-line, tanto na área de restaurantes e lanchonetes, quanto na área de produtos diversos.

Esse é um fenômeno interessante da crise, a economia se reinventa em busca de novos formatos, novas alternativas e novas formas de comunicação.

Meon- Qual a opinião da ACI sobre a flexibilização do comércio, como essa reabertura poderia ser feita para evitar mais prejuízos?

Em março, atendendo solicitação dos empresários, a ACI entregou ao prefeito Felício Ramuth uma carta solicitando uma análise profunda em prol da flexibilização das atividades econômicas em nossa cidade, sempre mediante rígido controle sanitário. Após estudo minucioso, a Prefeitura de São José dos Campos promulgou um Decreto tratando do isolamento seletivo. Essa medida contemplava as expectativas da ACI. Infelizmente, o Ministério Público entrou com solicitação de cancelamento do decreto, obteve a medida na Justiça e tudo voltou à estaca zero.

São José dos Campos é uma cidade diferente das demais no combate ao novo coronavírus. Segundo estudo apresentado pela prefeitura, há disponibilidade de leitos nas UTIs, caso seja necessário. Por isso, a ACI concorda com a prefeitura em relação à retomada da atividade econômica, desde que sejam adotadas regras sanitárias, o que envolve responsabilidade de todos no uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento necessário.

O efeito da quarentena tem sido perverso. Ela provocou o encerramento das atividade de muitas empresas em nossa cidade, alto número de demissões, além da suspensão de contratos de trabalho, inadimplência crescente, entre outros reflexos. Tudo isso é preocupante, pois são muitas famílias sem recursos financeiros para sobrevivência.

Temos que encontrar caminhos para a retomada, preservando vidas, empregos e empresas. É o que a ACI defende, é o que a ACI acredita.

Divulgação/ACI
Elaine Maia, presidente da Associação Comercial e Industrial de São José (Divulgação/ACI)
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