PT vê Trump querendo interferir nas eleições brasileiras; entenda
Proposta dos EUA de classificar facções brasileiras como terroristas gera reação do governo

Integrantes da cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) avaliam que a proposta dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pode representar uma tentativa de interferência nas eleições presidenciais deste ano no Brasil. A ideia teria surgido no entorno do presidente americano Donald Trump e foi criticada por integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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No Palácio do Planalto, a proposta é vista com preocupação. Para aliados do governo, a medida pode ter impactos na soberania nacional e abrir precedentes para sanções internacionais ou até ações externas relacionadas ao combate ao crime organizado.
Apesar das críticas do governo federal, a proposta tem apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é apontado como pré-candidato à Presidência da República. Em maio de 2025, ele chegou a entregar a representantes do governo americano um dossiê elaborado pelas Secretarias de Segurança Pública do Rio de Janeiro e de São Paulo relacionando as atividades de facções criminosas com práticas associadas ao terrorismo.
Entre os grupos citados nas discussões estão o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), duas das maiores organizações criminosas do país. Técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública já afirmaram anteriormente a autoridades americanas que, pela legislação brasileira, essas facções são classificadas como organizações criminosas, e não como grupos terroristas.
O tema também foi discutido recentemente no campo diplomático. No domingo (8), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre cooperação internacional no combate ao crime organizado.
A discussão deve fazer parte da pauta de um possível encontro entre Lula e Trump. A reunião estava prevista inicialmente para ocorrer neste mês, mas acabou sendo adiada, segundo autoridades, em razão das tensões internacionais envolvendo a guerra com o Irã.
Enquanto busca manter o diálogo com Washington, o governo brasileiro tenta evitar a classificação das facções como organizações terroristas. A avaliação é que essa medida poderia trazer consequências diplomáticas e econômicas ao país.
Nesta segunda-feira (9), o presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou publicamente a proposta. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele afirmou que o Brasil “não é um puxadinho” dos Estados Unidos e defendeu que o combate ao crime organizado deve ocorrer com cooperação internacional, mas respeitando a soberania brasileira.
Segundo Edinho, o governo Lula tem trabalhado para fortalecer políticas de segurança pública e ampliar parcerias com outros países no enfrentamento às facções criminosas, sem abrir mão da autonomia nas decisões internas do país.
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