Quando o carro ‘vira barco’
Aquaplanagem é risco nas pistas de competição e nas ruas. Motoristas também precisam tomar cuidado.


Com chuva, é recomendável reduzir a velocidade, para evitar o risco de aquaplanagem
Tiago Queiroz/Estadão
Quem assistiu o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, no dia 13, deve ter percebido que, com chuva, a possibilidade de aquaplanagem aumenta. Mesmo com muita tecnologia embarcada, com água na pista a possibilidade de o automóvel “virar barco” é grande. A corrida já foi, mas o período de chuvas em algumas regiões do Brasil mal começou.
Por isso, é recomendável ter atenção aos itens que são fundamentais para evitar a aquaplanagem: os pneus. Por serem os pontos de contato entre o veículo e o solo, os pneus influenciam diretamente no comportamento dinâmico do carro.
O motorista deve ficar atento ao indicador de desgaste. Trata-se de um ressalto de borracha conhecido como TWI, que fica no sentido transversal da banda de rodagem. Ele tem 1,6 mm de altura, medida mínima permitida por lei para o uso do pneu. Quando esse ressalto alcança a superfície da banda de rodagem, é o momento de substituição do produto.
Isso porque os sulcos dos pneus funcionam como canais de escoamento de água. Quanto menor esses canais, menor a capacidade de captar água. Para entender melhor, façamos uma analogia com rios: se a “calha” é pequena e ele receber muita água, haverá transbordamento. Nos pneus, o excesso tende a ficar entre o piso e a borracha, causando aquaplanagem. Assim, mesmo que o pneu não esteja liso, já é tecnicamente “careca” quando os sulcos têm 1,6 mm de profundidade.
É importante verificar a pressão dos pneus. Para isso, confira o valor indicado no manual do carro ou em algum ponto da carroceria (normalmente, há adesivo no batente da porta do motorista ou na tampa do tanque de combustível). Com carga (algo comum em viagens, quando há mais pessoas e bagagens), alguns fabricantes indicam pressão maior.
DICAS
COMO EVITAR
Em caso de chuva, o ideal é reduzir a velocidade. Acima de 80 km/h, a possibilidade de aquaplanagem aumenta muito. Além de diminuir o ritmo, especialmente em curvas, aumente a distância para o veículo da frente, para ter mais tempo de reação caso algo aconteça com ele. Procure manter os pneus nos “trilhos” formados pelos veículos que vão à frente. Essa é a parte mais seca da pista, e portanto a mais segura. Caso esses “trilhos” diminuam, é sinal que há muita água no piso. Nesse caso, reduza ainda mais a velocidade.
E SE O CARRO AQUAPLANAR?
O primeiro sintoma que o carro está perdendo contato com o solo é o aumento de giro do motor, por causa da redução de atrito entre a borracha e o solo. O segundo é a direção muito “leve”, pela mesma razão. Nesse caso, é preciso manter a calma, aliviar o pé do acelerador e não pisar no freio. Recomenda-se fazer leves movimentos no volante, para retomar o contato com o piso.
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