Quem é o seu político de estimação?
Políticos populistas têm se alimentado dos nossos medos e retroalimentam esse medo eternamente

Você consegue responder rapidamente em qual destes dois modelos de Estado você acredita: naquele os seus problemas devem ser resolvidos pelo Estado e ele toma decisões por você, ou no modelo em que o Estado organiza um ambiente social e economicamente saudável para você resolver seus problemas de acordo com as suas próprias decisões?
Se você faz parte de uma maioria brasileira que respondeu a primeira opção, provavelmente está mais propenso a escolher líderes populistas. Não se culpe por isso, pois a história e o próprio sistema político favorecem essa escolha. Os populistas se beneficiam dos medos das pessoas e fazem de tudo para que esses medos continuem presentes, seja por atos ou pelas narrativas propositalmente construídas.
Além disso, se utilizam de falas fáceis de serem entendidas pois agradam a audiência, sem a menor preocupação com a verdade, a viabilidade de suas promessas ou o resultado efetivo dessa retórica.
Esses são os políticos que, como disse Luiz Felipe D’Avila, “alimentam o radicalismo político e se apresentam como salvadores da pátria”.
São pessoas que podem variar de partido político, linha ideológica e discurso. Ainda assim, apresentam-se como os únicos representantes da vontade popular e usam a democracia como fachada para legitimar seus desejos pessoais.
Populismo, radicalismo e a cultura do ódio
Veja só. Não é coincidência que o radicalismo político tenha aumentado no Brasil nas últimas décadas, pois os maiores beneficiários dessa raiva generalizada que nutre a população são os próprios políticos populistas e os interesseiros que os cercam. E nunca a população ou a nação.
Esse jeitão de herói que vai combater o mal que se abate sobre o povo e resolver todos os problemas do país tem nos mantido presos a uma falta de desenvolvimento econômico e social, insegurança jurídica, corrupção e o Estado gastando muito e gastando mal. É um paternalismo que aumenta o tamanho e o custo do Estado e restringe nossas liberdades individuais.
Gera uma democracia eternamente em risco e uma agressividade entre grupos divergentes similar às brigas de torcidas organizadas. Há muitos casos de famílias e amigos que se separaram por conta desse ódio. E a nação sempre perde, enquanto os políticos populistas sempre ganham.
Não é de hoje esse modelo, mas ele vem se agravando. Christian Lohbauer, no livro “Fala Professor! Política para a nova geração.”, afirma que “o personalismo e o salvador da pátria devem ser substituídos pelas instituições e pelos indivíduos livres transformadores do seu entorno.”
Como deveria funcionar?
É esse o caminho. Países que obtiveram sucesso trilharam o modelo de democracia e do Estado eficiente. Isso fica muito claro no estudo do Nobel da Economia Daron Acemoglu com o cientista político James Robinson, publicado como livro “Porque as nações fracassam.”
Para chegarmos nesse sonhado lugar, as instituições devem ser mais fortes do que as pessoas que ocupam temporariamente um cargo executivo, legislativo ou judiciário. Porque as pessoas passam, mas as funções, as instituições e a nação devem permanecer sólidas e prósperas.
Nossas escolhas moldam o futuro. Escolher mais líderes populistas é reforçar um futuro de instabilidades, ameaças e falta de esperança. Por outro lado, escolher políticos com ideologias e ideias bem definidas, dispostos a atuar em equipe e mais preocupados em obter resultados pelo país, estado ou município do que para si próprios, é construir um caminho de estabilidade, paz e prosperidade.
Foto: IA

Política sem vergonha
Graduado em jornalismo, quase 30 anos de experiência em comunicação corporativa, relações institucionais e defesa de causas, possui MBA em Gestão Empresarial pela FGV e especialização em ESG – Gestão Responsável pela FIA / USP. Autor de dois livros e co-autor de outros quatro, é especialista em tra…
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