Cães abandonados dependem da boa ação de pessoas para serem salvos
Região tem registro de abandonos; veja o que diz o presidente de uma ONG









É comum no Vale do Paraíba, registros de cachorros que foram abandonados ou que aparentam estar doentes e estão a mercê nas ruas. Na maioria das vezes, o que também se percebe é a solidariedade das pessoas, principalmente pelas redes sociais, para ajudar esses animais. Mas afinal, de quem é a responsabilidade? ONG’s, prefeituras, Controle de Zoonoses, ou algum outro órgão?
O Meon conversou com representantes de ONG’s que trabalham na proteção e adoção dos animais e segundo a PEA (Projeto Esperança Animal), entidade ambiental qualificada como Oscip pelo Ministério da Justiça, não existem órgãos que possam recolher animais. Se você pretende ajudar e resgatar um animal necessitado, tenha em mente que a responsabilidade será sua até encontrar um novo lar para ele.
Exatamente, nenhum dos órgãos citados no início da matéria tem responsabilidade de resgatar um cachorro. Ou seja, cabe a pessoa que encontrar um em estado de abandono deve levar ao veterinário particular para medicar, vermifugar, vacinar, castrar, e então, começar a divulgação por adoção.
Nesta segunda-feira (12), a moradora de São José, Thelma Araújo encontrou um cachorro abandonado e que supostamente estava doente no bairro Chácaras Reunidas, em São José, e comunicou aos amigos. Sua amiga Natália Paulsen, que não sabia o quê fazer, postou uma foto do animal da internet e pediu ajuda às pessoas. Em poucos minutos, muitos se solidarizaram a ajudar com transporte até o veterinário, possíveis gastos e com um novo lar.
“Várias pessoas quiseram ajudar, procuramos o Controle de Zoonoses, ONG’s e veterinários, mas eles não podiam pegar o cachorro. Os veterinários até ajudaram com descontos no tratamento, auxiliando no passo a passo de como proceder, mas não podem ficar com os cães. O mais difícil é encontrar alguém que queira e possa ficar com o cachorro”, contou Natália.
Ainda na segunda-feira (12), o animal foi resgatado por duas amigas com a ajuda de uma veterinária, que fez todos os procedimentos iniciais necessários, mas infelizmente, o cãozinho estava muito hepático, teve complicações respiratórias e faleceu. Suspeita-se que estava com a doença do carrapato e leptospirose.
“Os animais nas ruas ou estão perdidos ou foram cruelmente abandonados, geralmente os animais abandonados estão famintos, subnutridos e doentes”, afirma o presidente da Opar (Organização para Proteção de Animais de Rua), de São José dos Campos, Henrique Carvalho.
De acordo com Carvalho, assim que encontrar um cão abandonado aconselha-se colocar cartazes com a descrição do animal em clínicas veterinárias, pet shops, supermercados, lojas e outros locais de circulação de pessoas na região onde cachorro foi encontrado. “Inicialmente, o animal não costuma ir longe, as primeiras horas são primordiais”, diz.
“Fale com os vizinhos e comerciantes do bairro, o dono do animal pode estar fazendo o mesmo. Verifique se alguém deixou anúncio como desaparecido, entre em contato com ONG’s e protetores. As redes sociais são ótimas ferramentas, rápidas, gratuitas e de grande repercussão”, aconselha Carvalho.
“Do contrário do que muita gente imagina, ONG’s e protetores, geralmente não possuem instalação, recursos e condições de resgatar mais animais. Diariamente já recebem incontáveis pedidos de ajuda e é impossível atender a todos. As pessoas podem conseguir ajuda para divulgar o animal, desconto ou valores acessíveis em alguns serviços, como a castração, a divulgação por adoção também é uma forma de colaboração destes agentes”, conta Carvalho.
Primeiros passos
– Encontre pessoas dispostas a colaborar. Ao tentar ajudar um animal em situação de abandono, é possível que você se veja sozinho. Mas, será muito bom contar com ajuda. Tente lembrar de amigos, parentes, colegas de trabalho e conhecidos, que poderiam colaborar em questões práticas como: espaço para moradia (lar transitório); veículo (para eventuais deslocamentos até um veterinário); tempo para visitar e cuidar do animal; recursos financeiros (necessário durante o processo).
– Lar transitório é basicamente um abrigo enquanto você prepara o animal para a doação. O ideal é que seja um espaço seguro e tranquilo. Até que seja examinado e vacinado, é prudente que o animal fique separado de outros bichos. Existem canis particulares que hospedam o animal até você conseguir doá-lo.
– Prepare o animal para adoção. Nessa fase, ele deve passar por um veterinário para ser avaliado, vacinado, vermifugado e castrado -isso requer algum dinheiro e tempo disponível.
– Divulgue em várias frentes e encaminhe para adoção. Esta etapa é decisiva. Procure conhecidos, veja se entre seus parentes, amigos ou vizinho, há alguém que possua condição adequada, perfil de proprietário responsável e queira adotar o animal. Será sempre mais seguro encaminhá-lo para alguém de confiança. Muitas vezes, o que funciona é o “boca a boca”. Converse com pessoas que gostem de bichos.
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