Especialista alerta: drones em CDP de São José são só a ponta do iceberg

Mais uma vez utilizado por traficantes para entrega de drogas e celulares dentro do CDP (Centro de Detenção Provisória) de São José dos Campos na manhã deste domingo (6), o drone (espécie de mini-helicóptero) é definitivamente uma nova ferramenta na mão de bandidos. Casos como os deste fim de semana mostram que o tráfico já domina tal técnica e, de acordo com especialista na área, a tendência é que este seja só o começo de uma série de possíveis ações envolvendo o veículo não tripulado.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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CDP de S. José: nova ação envolve drone

Warley Leite/ Meon

Mais uma vez utilizado por traficantes para entrega de drogas e celulares dentro do CDP (Centro de Detenção Provisória) de São José dos Campos, na manhã deste domingo (6), o drone -espécie de mini-helicóptero-, é definitivamente uma nova arma na mão de bandidos. Casos como o deste fim de semana mostram que o tráfico já domina a técnica e, de acordo com especialista, a tendência é que este seja só o começo de uma série de possíveis ações envolvendo o veículo não tripulado.

Ouvido pelo Meon, um pesquisador que há mais de cinco anos se dedica ao desenvolvimento de drones, afirmou que, em mãos erradas, esses aparelhos podem causar sérios problemas. De acordo com o profissional, que preferiu não se identificar, a mesma técnica que lança pacotes para dentro do CDP pode sem dificuldades carregar um material altamente explosivo e lançá-lo contra alvos específicos.

“O mesmo mecanismo utilizado para lançar um pacote também pode lançar uma granada. Acredito que esses dois incidentes mostram que os bandidos já sabem como manejar esse recurso e que possuem técnica suficiente para realizar ações criminosas com ele. É só a ponta de um enorme iceberg e as autoridades policiais precisam urgentemente se precaver contra essa nova modalidade de crime”, afirma.

Em relação aos drones utilizados nas ações do CDP de São José, duas possibilidades podem ser consideradas. Caso o veículo não seja munido de uma câmera de bordo, o “piloto” que maneja o aparelho deveria estar com a unidade prisional em seu campo de visão para que a operação fosse realizada. Isso significa que o mini-helicóptero estaria sendo manejado por uma pessoa a cerca de 300 metros de distância do CDP.

Considerando que o drone conte com uma câmera, aí a pessoa que opera o equipamento poderia estar mais distante, de um a três quilômetros afastado da unidade. Isso porque a autonomia de bateria do veículo não permitiria a ida e volta para uma distância maior do que essa. Em ambas as situações, entretanto, seria necessário que o condutor fosse experiente no assunto.

“No mínimo um aeromodelista. Essas máquinas não são tão fáceis de serem manipuladas. A pessoa precisaria subir com o drone até cerca de 100 metros de altura -onde ele fica praticamente invisível do chão-, descer rapidamente no local indicado, soltar o pacote e subir de novo sem ser pego. Essa operação exige perícia”, explica.

Voando a mais de 50 km/h, o mini-helicóptero torna a ação rápida e difícil de ser interceptada. Um exemplar pode ser encontrado pela internet por cerca de R$ 5.000, sem a câmera e R$ 12.000 com a câmera acoplada.

Sem decepção
Chefe de uma equipe que desenvolve drones no Brasil, o cientista não se diz decepcionado com o fato de seu objeto de estudo começar a ser utilizado para ações do tráfico de drogas. De acordo com ele, apesar de perigosa, a questão já era previsível.

“Uma hora os bandidos tomariam posse dessa tecnologia e usariam para o mal. O importante agora é desenvolver técnicas de defesa contra esses aparelhos. Uma delas seria realizar um bloqueio do sinal de radiofreqüência -utilizado para comandar esses veículos- nos arredores dos presídios. Mas repito: se depender do alcance que os drones possuem, a situação pode se agravar muito”, alerta.

Medidas
Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária informou que está tomando providências para conter a ação dos mini-helicópteros no CDP de São José. Entretanto, por motivos de segurança, não irá revelar a estratégia.

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