Fim do financiamento privado não assusta os partidos da região
Apesar de opiniões divergentes PT e PSDB se preparam para campanhas “enxutas”


Será o fim dos papéis nas ruas em dia de eleições?
Flavio Pereira/Meon
O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do financiamento empresarial de empresas a partidos políticos. A decisão, tomada por oito votos contra três, ocorre às vésperas da análise da presidente Dilma Rousseff sobre um projeto de lei aprovado no Congresso, que permitia as doações de empresas até o limite de R$ 20 milhões. Com o resultado do julgamento da Corte, a presidente deve vetar o texto. De acordo com o presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, a decisão “valerá daqui para frente e valerá para as eleições de 2016 e 2018”.
Em São José dos Campos, os líderes dos principais partidos políticos reagiram de forma diferente à decisão do tribunal. Para o presidente do PSDB de São José dos Campos, Anderson Farias Ferreira, a decisão foi péssima, pois o que tem que mudar são as pessoas que dirigem os partidos políticos e agem com má fé.
“Impedir a doação de pessoas jurídicas não resolve o problema, o que resolve é uma legislação que realmente ofereça punição para quem alimenta a corrupção. Isso é defendido pelo PT porque está até o pescoço com pessoas que utilizaram de doações de campanha de forma ilícita”, disse Ferreira.
Já nas próximas eleições, os partidos terão que adequar suas campanhas às verbas do fundo partidário e às doações de pessoas físicas.
Para a presidente do PPS de Taubaté, vereadora Pollyana Gama, isso não vai modificar a campanha de seu partido: “Sou a favor do fim do financiamento privado das campanhas, pois nas campanhas milionárias nunca sabemos de onde vem o dinheiro. No PPS, sempre fizemos campanhas modestas, enxutas e sem depender de doações de empresas, mas com a ajuda de pessoas que acreditam em nosso projeto”.
O Partido dos Trabalhadores que vem defendendo o financiamento público das campanhas eleitorais comemorou a decisão do STF. O secretário geral do PT de São José dos Campos, André Diniz, destaca que com menos dinheiro os partidos terão que se aproximar mais das pessoas: “É o fim da influência do poder econômico sobre as eleições Isso fará com que as campanhas sejam mais próximas das pessoas, pra conquistar o eleitor vamos ter que gastar mais sola de sapato e saliva, menos papel, placas e publicidade”.
Pra 2016, o partido prevê uma campanha mais enxuta e conta com o apoio e as doações dos militantes, dos filiados e dos simpatizantes petistas.
Também no PSDB há tranquilidade no planejamento para 2016. Segundo Anderson Ferreira, São José nunca utilizou verbas do fundo partidário, e sempre fez campanhas enxutas contando com doações de pessoas físicas e realização de eventos e jantares: “As doações de empresas representavam cerca de 20% do total gasto na campanha”.
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